a primeira vez que fui à america remonta a 1995. estava no canada há um mês a visitar uns primos, como condição quase universal de um açoriano no mundo. à america. fui de carro. numa road trip bafienta, levada a cabo num furgão castanho claro e sentado no banco de trás entre os meus avós, enquanto à frente uns tios-avós alternavam na condução. todos eles sextagenários; ligação entre cambridge, no canadá, e essa mítica cidade de fall river, nos estados unidos. estávamos em agosto, a brisa apenas a do ar condicionado e, esse, era escasso. guardo memórias residuais dessa altura; lembro-me que o subúrbio americano entrelaçado com as tradições açorianas (muitas delas já extintas) despertavam em mim uma admiração mórbida. procurava entender aquele progresso recuado dos emigrantes. já nessa altura tinha a percepção que aqueles pareciam mais açorianos dos que os que nas ilhas tinham ficado. apesar disso, tudo parecia grande., faziam tudo em grande. na américa, tudo é maior.