madeira/azoren

sem querer ser presunçoso, este anúncio espalhado por viena é verdadeiramente insultuoso. não sei se pela confusão geográfica ali espelhada, se pela mistura iconográfica dos dois arquipélagos.

sem querer ser presunçoso, este anúncio espalhado por viena é verdadeiramente insultuoso. não sei se pela confusão geográfica ali espelhada, se pela mistura iconográfica dos dois arquipélagos.
sacher torte vs trdlo

não desgosto em viajar sozinho. habituei-me a escutar os outros e a fixar barulho das ruas. a viagem de comboio entre viena e praga foi longa, cerca de 5 horas em segunda classe, numa cabina razoável e dividida com um casal austríaco, passageiros frequentes da obb de viagem até praga, e um checo de faca de mato na perna e que desenhava armaduras medievais, viajando de breclav até pardubice. pouco conversadores, o que também não desgosto. não consigo fazer conversa, para manter o tempo, com desconhecidos que se sentam ao meu lado. o mesmo nos aviões. regressei, lentamente.

wien & praha
nos próximos dias, estarei longe.
Paris is like a whore. From a distance she seems ravishing, you can’t wait until you have her in your arms. And five minutes later you feel empty, disgusted with yourself. You feel tricked. - tropic of cancer, henry miller
pode parecer absurdo mas sempre quis ir a paris influenciado por miller. não me sinto vazio, apenas cheio de vontade de lá voltar. sim, eu já disse isto mas quando for grande quero emigrar.

também me apeteceu fugir em les vosges. sem olhar a vida.
[les marais ~ gus van sant, 2006]

The sky was blue, high above/ The moon was new, so was love/ This eager heart of mine is sayin’/ Lover come back to me.*
new orleans, lousiana.
outra américa, ainda mais extravagante, mas sempre com boa música.
* 1928 Oscar Hammerstein II & Sigmund Romberg.
a primeira vez que fui à america remonta a 1995. estava no canada há um mês a visitar uns primos, como condição quase universal de um açoriano no mundo. à america. fui de carro. numa road trip bafienta, levada a cabo num furgão castanho claro e sentado no banco de trás entre os meus avós, enquanto à frente uns tios-avós alternavam na condução. todos eles sextagenários; ligação entre cambridge, no canadá, e essa mítica cidade de fall river, nos estados unidos. estávamos em agosto, a brisa apenas a do ar condicionado e, esse, era escasso. guardo memórias residuais dessa altura; lembro-me que o subúrbio americano entrelaçado com as tradições açorianas (muitas delas já extintas) despertavam em mim uma admiração mórbida. procurava entender aquele progresso recuado dos emigrantes. já nessa altura tinha a percepção que aqueles pareciam mais açorianos dos que os que nas ilhas tinham ficado. apesar disso, tudo parecia grande., faziam tudo em grande. na américa, tudo é maior.

em trânsito, sobre o atlântico.
os gregos, tal como os portugueses, vivem do passado.
do futuro, apenas nevoeiro.