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arquivo da categoria: [porto]

serralves & oliveira

a exposição sobre a obra de manoel de oliveira em serralves é uma desilusão. admito que mostrar o cinema não deve ser fácil, porém talvez se conseguisse evitar o amontoar de ecrans e sons em que a exposição se tornou impedido admirar pequenos pedaços de uma obra ímpar.

um dos exemplos mais desconcertantes é o de uma das salas em que há seis mini-quartos com cenas de vários filmes revisitando temas particulares da obra que se perdem por parecer que entramos em caixilhos de madeira-fresca de coelhos demasiado perto do ecran e com a luz que vem de fora a cortar qualquer momento introspectivo que as imagens pudessem ter em nós.

felizmente há pequenos instantes que nos fazem valer o penoso caminho na exposição - re/ver “douro, faina fluvial” na versão muda original; a entrada para a exposição com as paredes preenchidas de “retratos” de não-actores dos filmes de oliveira; e uma sequência de mar/nuvens/perdição de um comandante malkovich em “filme falado”.

há demasiada luz, demasiado barulho, demasiados fios à mostra, demasiada confusão. o bom é que sei que manoel de oliveira é muito mais do que esta exposição, isso descansa-me.

A maledicência, 2

paisagem
onde a
riqueza
telinta
unicamente na
ganadaria
absorvedoura de
lisboa.

[stencil numa parede na rua antero de quental, porto].

A maledicência

O Porto está, não haja dúvidas, muito doente. Para explicar este estertor, é útil continuar a acreditar que a cidade é enjeitada pelo poder central, o que, ainda por cima, não é nenhuma mentira. Mas, se é verdade que há muita gente, e se calhar gente a mais, que se conforma, que desistiu, que já não resiste, que desapareceu e “já não quer saber”, também é inegável que o pior sintoma desta decadência é a insuportável maledicência que, com tiques de snobeira chique e de bom-tom, ou de pós-modernismo diletante e niilista, anima os mais variados salões. E, não sendo eu, caro leitor, um “bem-dizente” habitual, não resisto a confessar -lhe que este é um sintoma tangível de que somos, cada vez mais, uma cidade pequena, que caminha para a irrelevância. E isso, por muito que nos custe, acontece também, e principalmente, por nossa culpa.

rui moreira, presidente da associação comercial do porto
caderno do porto. público 22.junho.08

s.joão

A noite veio das mais fluidas, com um céu azul-escuro, pouco luar. Eles saíram no alvoroço meridional das festas, e Flora sentia o coração com risos, e achava lindos os balões venezianos das ruas, em túneis feéricos, de indianos brilhos. Ao pé das cascatas o povoléu empurrava-se. A música tocava o São João. E os bandos de festeiros passavam com violência, de braços dados, chapéus de palha, cantarolando em coro. A alegria doidejava, peninsular e rumorosa com a tontura do vinho e de amores. Das janelas cheias deitava-se fogo, dentro corria um bem-estar risonho e na rua compacta ia um frémito – como se em toda aquela gente houvesse umas grandes núpcias de coração. Os buscapés rabiavam; (…) e no azul veludoso os foguetes estoiravam em girândolas, e punham lágrimas.

[julio brandão, via portus-cale]

um bom s.joão a todos*

em festa

clube dos nadadores de inverno, ***
Ana Deus, Dead Combo, Alexandre Soares, João Pedro Coimbra

joão peludo e a orquestra sonanbula, ***
breviário do encosto e mau perder

dirty projectors, ****
entre o hi-fi e o lo-fi

vou ao porto

Na zona oriental do Porto cruzam-se auto-estradas e quintais, bairros sociais degradados e amplas alamedas arborizadas. Quem por lá passa não acredita que está no Porto. Quem por lá mora também não. Quando saem do seu bairro as pessoas dizem “vou ao Porto”.

Vou ao Porto” fotografia de Paulo Pimenta
retratos de famílias dos bairros do Porto

XXI FITEI – programação paralela
Estação de Metro Campo 24 de Agosto
31 de Maio a 8 de Junho das 10h às 22h

FantasPorto, 3

fantasdelay.jpeg

via fantasporto!livejournal.

FantasPorto, 2

rivoli, grande auditório 21h15

ela: ainda me lembro do fantas no carlos alberto.
ele: sim, belas noites essas.
ela: aquilo é que era terror.
ele: mas tu tapavas os olhos.
ela: pois… mas eram melhores.

{não há ano nenhum que não ouça o saudosismo por essas noites no carlos alberto…}

FantasPorto

fantas.jpeg

25.fev a 9.mar ± porto

será ‘musica no coração’ uma obra do cinema fantástico ou do terror português?

entardecer

O porto é uma cidade do entardecer e uma presa nocturna.
augustina bessa luís.

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