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	<title>APELOEH OU A POSSIBILIDADE DE UMA ILHA &#187; livros</title>
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		<title>do sofrer</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Aug 2010 00:48:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>apeloeh</dc:creator>
				<category><![CDATA[livros]]></category>

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		<description><![CDATA[lembro-me que, às vezes, sérgio largava, desgarrado, serra fora, sem aviso. de uma vez, lá o fui achar estirado entre penedos, olhando, pasmado, para o céu. caía-lhe do azul um silêncio augusto. fundas brechas abriam-lhe a montanha, de um e de outro lado, até à raíz. e em baixo, pespontando o silêncio, um marulhar tímido [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>l</strong>embro-me que, às vezes, sérgio largava, desgarrado, serra fora, sem aviso. de uma vez, lá o fui achar estirado entre penedos, olhando, pasmado, para o céu. caía-lhe do azul um silêncio augusto. fundas brechas abriam-lhe a montanha, de um e de outro lado, até à raíz. e em baixo, pespontando o silêncio, um marulhar tímido de ribeiros, um chocalhar recolhido de rebanhos. ao ver-me, sérgio não se perturbou:</p>
<p>- que está a fazer? &#8211; perguntei, com estupidez.<br />
- nada. estou a sofrer.</p>
<p>sentei-me, puxei de um cigarro. reparei que me chocava menos aquele desvairo.</p>
<p>- aconteceu alguma coisa?<br />
- que coisa?<br />
- alguma coisa que o magoasse, evidentemente.<br />
- não.<br />
- então porque sofre?<br />
- isso é uma pergunta idiota, meu filho. (&#8230;) sofrer é tão natural e espontâneo quanto existir. só os insuficientes é que procuram uma causa para serem felizes ou infelizes.</p>
<p>[<em>p. 83, promessa</em> ~ vergílio ferreira]</p>
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		<title>das despedidas</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Aug 2010 00:41:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>apeloeh</dc:creator>
				<category><![CDATA[livros]]></category>

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		<description><![CDATA[- barbara você vai deixar isto?
- eis aí uma coisa desagradável em você. esse espanto. essa lamúria. no folhetim, você esta vivendo o papel de apaixonado. e isso é o pecado do monge moribundo com uma vida de penitência. serene, por favor.
- mas eu nunca a amei, bárbara.
- nunca? &#8211; estranhou ele, altiva como um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- <strong>b</strong>arbara você vai deixar isto?<br />
- eis aí uma coisa desagradável em você. esse espanto. essa lamúria. no folhetim, você esta vivendo o papel de apaixonado. e isso é o pecado do monge moribundo com uma vida de penitência. serene, por favor.<br />
- mas eu nunca a amei, bárbara.<br />
- nunca? &#8211; estranhou ele, altiva como um ganso.<br />
- sérgio dizia que você era demasiado bela para ser amada. tenho de aceitar o paradoxo, porque não vejo outra maneira de dizer a mesma coisa.</p>
<p>ela sorriu, confortada. tomoume as mãos e fitou-me com receio, por termos liquidado o que pudéssemos sentir sem dizer.</p>
<p>- exactamente o que eu quererira. posse sem amor. mas você teve sempre excessiva moral para pecar em estado de graça.<br />
- não foi por moral, suponho. pretendo que não tenha sido por moral. admitamos que foi por cobardia. é mais cómodo, porque acredito melhor. eu e você. e pronto. creio que não temos mais nada a dizer.</p>
<p>demorou ainda um instante os olhos sobre mim. depois, apertou-me num abraço convencionalmente frio. apesar de tudo custou-me ainda a suportar a convenção. disse, por conveniência, batendo-lhe palmadas estúpidas pelos ombros:</p>
<p>- então boa viagem, bárbara. felicidades.<br />
- talvez a gente um dia se encontre. pode-se morrer mais que uma vez e recomeçar antes de morrer definitivamente. ás vezes, basta que não tenhamos à roda os que foram vivos connosco. tudo isto é idiota, mas sofro se você disser que o é. seja criança um momento e diga que o não é.<br />
- não é.</p>
<p>[<em>p. 249, promessa</em> ~ vergílio ferreira]</p>
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		<title>Stupor Mundi</title>
		<link>http://blog.apeloeh.com/2010/08/25/stupor-mundi/</link>
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		<pubDate>Wed, 25 Aug 2010 18:22:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>apeloeh</dc:creator>
				<category><![CDATA[livros]]></category>

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		<description><![CDATA[sofremos com nojo a pertença em nós
inculcada de uma geração, as suas taras
vindas de longe, modos diferentes
de se ser igual. Com uma raiva triste,
vemo-los foder, procriar, indo aos poucos
definhando, esperados que são
por pós-modernos jazigos.
não há nada a fazer,
nenhuma palavra nos salva.
somos sempre contemporâneos da merda.
manuel de freitas
p.12, a última porta
assirio &#038; alvim 2010
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>s</strong>ofremos com nojo a pertença em nós<br />
inculcada de uma geração, as suas taras<br />
vindas de longe, modos diferentes<br />
de se ser igual. Com uma raiva triste,<br />
vemo-los foder, procriar, indo aos poucos<br />
definhando, esperados que são<br />
por pós-modernos jazigos.</p>
<p><strong>n</strong>ão há nada a fazer,<br />
nenhuma palavra nos salva.<br />
somos sempre contemporâneos da merda.</p>
<p><em>manuel de freitas</em><br />
p.12, a última porta<br />
assirio &#038; alvim 2010</p>
]]></content:encoded>
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		<title>identidade</title>
		<link>http://blog.apeloeh.com/2010/08/14/identidade/</link>
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		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 11:43:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>apeloeh</dc:creator>
				<category><![CDATA[livros]]></category>

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		<description><![CDATA[quantos sou?
quem é eu?
o que é este intervalo que há entre mim e mim?
salmo 22, o hipopótamo de deus e outros textos
josé tolendino de mendonça
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>q</strong>uantos sou?<br />
quem é eu?<br />
o que é este intervalo que há entre mim e mim?</p>
<p>salmo 22, <em>o hipopótamo de deus e outros texto</em>s<br />
josé tolendino de mendonça</p>
]]></content:encoded>
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		<title>a possibilidade de reencontrar uma vida</title>
		<link>http://blog.apeloeh.com/2010/08/11/a-possibilidade-de-reencontrar-uma-vida/</link>
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		<pubDate>Wed, 11 Aug 2010 22:24:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>apeloeh</dc:creator>
				<category><![CDATA[livros]]></category>

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		<description><![CDATA[Se a linha azul do mar tanto nos seduz é também porque essa imensidão nos lembra o nosso verdadeiro horizonte. Se nos elevamos até aos montes é porque na visão clara que aí se alcança do real, nessa visão sem censuras, reconhecemos parte importante de um apelo mais íntimo.
pag 89, o hipopótamo de deus e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>S</strong>e a linha azul do mar tanto nos seduz é também porque essa imensidão nos lembra o nosso verdadeiro horizonte. Se nos elevamos até aos montes é porque na visão clara que aí se alcança do real, nessa visão sem censuras, reconhecemos parte importante de um apelo mais íntimo.</p>
<p>pag 89, <em>o hipopótamo de deus e outros texto</em>s<br />
josé tolendino de mendonça</p>
]]></content:encoded>
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		<title>como se vai para o céu</title>
		<link>http://blog.apeloeh.com/2010/08/09/como-se-vai-para-o-ceu/</link>
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		<pubDate>Mon, 09 Aug 2010 22:25:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>apeloeh</dc:creator>
				<category><![CDATA[livros]]></category>

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		<description><![CDATA[leio &#8216;o hipopótamo de deus e outros textos&#8216; de josé tolentino mendonça (assírio &#038; alvim, 2010) como se de um acto de reconciliação se tratasse.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>l</strong>eio &#8216;<em>o hipopótamo de deus e outros textos</em>&#8216; de josé tolentino mendonça (assírio &#038; alvim, 2010) como se de um acto de reconciliação se tratasse.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>José Ser Amargo</title>
		<link>http://blog.apeloeh.com/2010/06/18/jose-ser-amargo/</link>
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		<pubDate>Fri, 18 Jun 2010 15:17:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>apeloeh</dc:creator>
				<category><![CDATA[livros]]></category>

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		<description><![CDATA[


não gosto de obituários, especialmente daqueles que se referem a mortes de doença prolongada. os portugueses que nunca o entenderam, que agora o façam e, claro, o elogiem. fico-me pelo graffitado em alguns ruas do porto &#8211; josé ser amargo.
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blog.apeloeh.com/Pictures2008/saramago1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3462" title="saramago1" src="http://blog.apeloeh.com/Pictures2008/saramago1.jpg" alt="" width="356" height="235" /></a></p>
<p><a href="http://blog.apeloeh.com/Pictures2008/saramago2.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3463" title="saramago2" src="http://blog.apeloeh.com/Pictures2008/saramago2.jpg" alt="" width="356" height="234" /></a></p>
<p><a href="http://blog.apeloeh.com/Pictures2008/saramago3.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-3464" title="saramago3" src="http://blog.apeloeh.com/Pictures2008/saramago3.jpg" alt="" width="356" height="235" /></a></p>
<p><strong>n</strong>ão gosto de obituários, especialmente daqueles que se referem a mortes de doença prolongada. os portugueses que nunca <em>o</em> entenderam, que agora o façam e, claro, o elogiem. fico-me pelo <em>graffitado</em> em alguns ruas do porto &#8211; <em>josé ser amargo</em>.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>o desconforto</title>
		<link>http://blog.apeloeh.com/2010/06/16/o-desconforto/</link>
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		<pubDate>Wed, 16 Jun 2010 23:18:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>apeloeh</dc:creator>
				<category><![CDATA[livros]]></category>

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		<description><![CDATA[há somente searas sobre a terra;
a espera insuportável e o silêncio inexprimível.
p.74, ontem ~ agota kristof
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>h</strong>á somente searas sobre a terra;<br />
a espera insuportável e o silêncio inexprimível.</p>
<p>p.74, <em>ontem</em> ~ agota kristof</p>
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		<title>o tempo</title>
		<link>http://blog.apeloeh.com/2010/06/16/3450/</link>
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		<pubDate>Wed, 16 Jun 2010 23:16:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>apeloeh</dc:creator>
				<category><![CDATA[livros]]></category>

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		<description><![CDATA[o tempo despedaça-se. onde reencontrar os terrenos vagos da infância? os sóis eliptícos imobilizados no espaço negro? onde reencontrar o caminho que oscilou para o vazio? as estações perderam todo o seu significado. amanhã, ontem, que querem dizer estas palavras? só existe o presente. uma vez, neva. outra, chove. depois faz sol, faz vento. tudo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>o</strong> tempo despedaça-se. onde reencontrar os terrenos vagos da infância? os sóis eliptícos imobilizados no espaço negro? onde reencontrar o caminho que oscilou para o vazio? as estações perderam todo o seu significado. amanhã, ontem, que querem dizer estas palavras? só existe o presente. uma vez, neva. outra, chove. depois faz sol, faz vento. tudo isso é agora. isso não foi, não será. isso é. sempre. ao mesmo tempo. porque as coisas vivem em mim e não no tempo. porque as coisas vivem em mim e não no tempo. e, em mim, tudo é presente.</p>
<p>p.74, <em>ontem</em> ~ agota kristof</p>
]]></content:encoded>
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		<title>o sonho</title>
		<link>http://blog.apeloeh.com/2010/06/16/o-sonho-3/</link>
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		<pubDate>Wed, 16 Jun 2010 23:10:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>apeloeh</dc:creator>
				<category><![CDATA[livros]]></category>

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		<description><![CDATA[ontem dormi até muito tarde. sonhei que estava morto. via a minha campa. estava abandonada, coberta de ervas daninhas.
uma velha passeava-se pelas campas. perguntei-lhe porque é que não tratavam da minha.
- é uma campa muito antiga &#8211; disse-me ela. &#8211; observe a data. não há ninguém que possa ainda conhecer aquele que aqui está sepultado.
eu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>o</strong>ntem dormi até muito tarde. sonhei que estava morto. via a minha campa. estava abandonada, coberta de ervas daninhas.</p>
<p>uma velha passeava-se pelas campas. perguntei-lhe porque é que não tratavam da minha.</p>
<p>- é uma campa muito antiga &#8211; disse-me ela. &#8211; observe a data. não há ninguém que possa ainda conhecer aquele que aqui está sepultado.</p>
<p>eu olhei. era o ano em curso. não soube o que responder.</p>
<p>quando acordei era já noite. da minha cama via o céu e as estrelas. o ar estava transparente e doce.</p>
<p>p.73, <em>ontem</em> ~ agota kristof</p>
]]></content:encoded>
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