o que somos?
porquanto o horizonte é uma centopeia grande, o mar é uma centopeia grande. nós uma centopeia emborcada, a arranhar o ar.
poesia, pág. 30
luiza neto jorge
porquanto o horizonte é uma centopeia grande, o mar é uma centopeia grande. nós uma centopeia emborcada, a arranhar o ar.
poesia, pág. 30
luiza neto jorge
uma sombra enconstava a pata
ao vidro da janela
assim protegidos adormecíamos
poesia, pág. 280
luiza neto jorge
bêbados loucos, sentia quando
olhava esses revolucionados
o coração, em lume brando,
arder-me. são os meus amados
poesia, pág. 278
luiza neto jorge
não li nada de quem ganhou o nobel nos últimos 5 anos, nem sei o que vendem as livrarias nos dias de hoje. na minha mesa de cabeceira estiveram mais do que uma vez:
1. se as coisas não fossem o que são ~ helder moura pereira
2. a sintaxe das lágrimas ~ josé tolendino de mendonça
3. nove contos ~ j. d. salinger
4. os cantos, a tragédia de uma família açoriana ~ maria filomena mónica
5. black hole ~ charles burns
o amor é uma noite a que se chega só.
josé tolentino de mendonça, a noite abre meus olhos
para ti,sempre
atrás de ti o caminho luminoso
como se o abismo tivesse uma cabeleira branca.
josé tolentino de mendonça
certas manhãs chegava
esmagado pela luz
longo, frívolo, ofensivo
qualquer gesto aludia
a uma espécie de temor
a tristeza daqueles que pertencem
a lugar nenhum
vivia tudo num instante
a solidão, os rancores
as alegrias dos outros
o silêncio do outono
nunca o amor tocara o seu corpo
com a intensidade do medo
tornou-se parte de um rio
nem perto, nem longe
da palavra justa
ele só pedia
“não me digam nada”.
josé tolentino de mendonça
a casa onde às vezes regresso é tão distante
da que deixei pela manhã
no mundo
a água tomou o lugar de tudo
reúno baldes, estes vasos guardados
mas chove sem parar há muitos anos
durmo no mar, durmo ao lado do meu pai
uma viagem se deu
entre as mãos e o furor
uma viagem se deu: a noite abate-se fechada
sobre o corpo
tivesse ainda tempo e entregava-te
o coração.
josé tolentino de mendonça
we need much bigger pockets, i thought as i lay in bed, counting off the seven minutes that it takes a normal person to fall asleep. we need enormous pockets, pockets big enough for our families, and our friends, and even the people who aren’t on our lists, people we’ve never met but sill want to protect. we need pockets for boroughs and for cities, a pocket that could hold the universe.
[...]
but i knew that there couldn’t be pockets that enormous. in the end, everyone loses everyone. there was no invention to get around that, an so i felt, like the turtle that everything else in the universe was on top of.
pag.74, extremely loud & incredible close
jonatham safran foer
cruzámos nossos olhos em alguma esquina
demos civicamente os bons dias:
chamar-nos-ão vais ver contemporâneos
ruy belo, epígrafe para a nossa solidão