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arquivo da categoria: [livros]

songbook: autores açorianos

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este livro não tem por objecto a história das canções de autor nos Açores, mas sim uma ferramenta de trabalho para compositores, intérpretes e estudantes, ou uma fonte de referência adicional sobre música, pelo que se desenvolveram todos os esforços para optimizar as potencialidades de uma produção deste género. Daí surgir a designação de Songbook, em detrimento de “Cancioneiro” ou outra designação mais consensual, numa perspectiva de defesa de um património cultural português, bem como a opção de uma edição bilingue: pretende-se registar, documentar e divulgar um património já existente - as canções.

- Rafael Fraga e Augusto Macedo

a noite

a esta hora em que a noite é uma seringa partida. a esta hora em que os pulmões são de seda e o sangue circula muito devagar. eu não estou.

[pag.7 ~ a prisão e paixão de egon schielle, vasco gato]

a single man [1]

A few times in my life I’ve had moments of absolute clarity. When for a few brief seconds the silence drowns out the noise and I can feel rather than think… And things seem so sharp and the world seems so fresh. I can never make these moments last. I cling to them, but like everything they fade. I have lived my life on these moments. They pull me back to the present and I realise that everything is exactly the way it was meant to be. - Christopher Isherwood, A Single Man.

[a single man ~ tom ford, 2009]

terra nova

o meu pai era um dos que não queria regressar. sentia profundamente que isso fazia parte do passado dele. acabámos por regressar de forma muito semelhante à que conto no livro, quando a minha avó estava a morrer. eu tinha quatro anos e não me lembro de grande coisa excepto de tomar banho “nos tanques”, na água fria, e ir à casa-de-banho no exterior, coisa que nunca tinha visto.

depois do meu pai morrer, tinha eu 22 anos, a minha mãe decidiu que íamos voltar a são miguel. foi aí que pela primeira vez compreendi que estava ligado a esse lugar e me apaixonei por ele. nessa altura era completamente canadiano, não queria ter nada com o meu lado português. e lembro-me de sair do aeroporto e ir de carro até lomba da maia e sentir uma ligação muito forte a este sítio.

- anthony de sá em entrevista a alexandra prado coelho, pág. 13 ipsilon 12/fev.

com amor e sordidez

podia servir-lhe de obituário.

Paris [2]

Paris is like a whore. From a distance she seems ravishing, you can’t wait until you have her in your arms. And five minutes later you feel empty, disgusted with yourself. You feel tricked. - tropic of cancer, henry miller

pode parecer absurdo mas sempre quis ir a paris influenciado por miller. não me sinto vazio, apenas cheio de vontade de lá voltar. sim, eu já disse isto mas quando for grande quero emigrar.

Stereotyping People by Their Favorite Author

Jack Kerouac
Umphrey’s McGee fans.

Jane Austen (or Bronte Sisters)
Girls who made out with other girls in college when they were going through a “phase”.

William Shakespeare
People who like bondage.

Nick Hornby
Guys who wear skinny jeans and the girls that love them.

Cormac McCarthy
Men who don’t eat cream cheese.

Gabriel Garcia Marquez
Men who can’t lie but will instead be silent if they know you don’t want to hear the truth.

Virginia Woolf
Female high-school French teachers who have their master’s degree.

Oscar Wilde
People who can’t resist anything. See also, people who claim they’re going to change but never do.

via dias felizes; lista completa aqui.

saramago

a revisitação do antigo testamento por  saramago é uma desilusão. resume-se a uma reflexão comum que qualquer um poderia ter feito (e muitos já a fizeram) com a agravante de parecer, em algumas passagens, um romance brejeiro.

deus

a história dos homens é a história dos seus desentedimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele.

p.91 ~ caim, josé saramago

lilith

caim já entrou, já dormia na cama de lilith, e, por mais incrível que nos pareça, foi a sua própria falta de experiência de sexo que o impediu de se afogar no vórtice de luxuria que num só instante arrebatou a mulher e a faze var e gritar como possessa. rangia os dentes, mordia a almofada, logo o ombro do homem, cujo sangue sorveu. aplicado, caim esforçava-se sobre o corpo dela, perplexo por aqueles desgarros de movimentos e vozes, mas, ao mesmo tempo, um outro caim que não era ele observava o quadro com curiosidade, quase com frieza, a agitação irreprimível dos membros, as contorções do corpo dela e do seu próprio corpo, as posturas que a cópula, ela mesma, solicitava ou impunha, até ao acme dos orgasmos.

p.63 ~ caim, josé saramago

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