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arquivo da categoria: [ilha]

vai/vem

os emigrantes, domingos rebelo 1926
os regressantes, tomaz vieira 1987

o coração do ilhéu é infinito na aspiração.

josé torres in AAVV, história dos açores – do Descobrimento ao séc. XX,
instituto açoriano de cultura, 2008, p.11.
via livraria sol-mar

fez-se luz

“Catarina Branco pertence a uma geração que não necessita de renegar aquilo que construiu a identidade da mulher durante séculos para se afirmar. Pelo contrário. No seu trabalho, esta identificação feminina – um certo estereótipo colado aos “crafts” realizados por mulheres: as rendas e bordados, o trabalho têxtil, a doçaria conventual, a confecção de adornos litúrgicos em papel e escama de peixe – subjaz à reflexão sobre a identidade açoreana que a sua obra convoca”. >> ipsilon

10.02 – 31.03 | fez-se luz de catarina branco
museu carlos machado

a vida não me interessa

a vida não me interessa. algumas florentinas esbeltas, de xale escuro pela cabeça, alguns tipos de homens fortes – e mais nada. de ilha a ilha – corvo e flores – vão quinze milhas – mas que distância as separa!… aqui há escrivães de fazenda – empregados públicos – senhores e plebe. compreendo o corvo, não compreendo os interesses mesquinhos, moídos e remoídos numa pequena vila isolada a cem léguas do mundo. vejo às janelas, por dentro das vidraças, fisionomias tristes de velhos que estão desde que se conhecem à espera de quem passa – e não passa ninguém. é aqui que o hábito deita raízes de ferro. oh, meu deus! descubro que a gente enterrada há cinquenta anos se encontra outra vez nas flores, viva e aferrada às mesmas palavras e às mesmas manias do passado, numa meia-sombra em que se cria bolor. estou talvez no purgatório – o inferno é mais ao norte… certos seres mortos na minha mocidade, e que eu não sabia onde se tinham metido, foram desterrados para as flores. até personagens de romance! até a d. felicidade do eça aqui habita e exala os seus gases, e outras damas antediluvianas com broches ao pescoço e barrigas tão grandes como já hoje não existem barrigas no mundo! visitei uma senhora de idade que nunca saiu de casa e até a paisagem da ilha desconhece. quem não trabalha só pode fazer uma coisa: sentar-se nos bancos de pedra da misericórdia e esperar a morte. e na verdade aqui tanto faz estar vivo como morto e sepultado num jazigo de família.

raul brandão, as ilhas desconhecidas.

arquipélago, 2


gabriel garcia

19/01 – 16/03 | exposição arquipélago
academia das artes dos açores

arquipélago,1


carlos mota

19/01 – 16/03 | exposição arquipélago
academia das artes dos açores

Núcleo de Arte Sacra e Núcleo de Santa Bárbara
28 de Outubro de 2011 a 29 de Janeiro de 2012

Matança

“A tradição da matança do porco é ainda um importante meio de subsistência para uma parte da população açoriana. Originalmente, o ritual da “Matança” durava vários dias e envolvia toda uma comunidade. Hoje em dia, faz-se apenas durante o fim de semana e é essencialmente um evento familiar. O filme “Matança”, enquanto nos mostra como se mata e desmancha o animal, também nos indica que o futuro da tradição depende da sua constante adaptação ao presente: os alguidares de barro deram lugar aos de plástico e, em vez de se cantar ao desafio, ouve-se música pop na rádio. A velhota, sentada no sofá a ver televisão, garante-nos que já se pode dar uma Matança à sua neta, que ela faz tudo.”

Matança ~  Andre Laranjinha, 2011
Vencedor do melhor filme açoriano (curtas) do FFF 2011.

era uma vez numa ilha

“Aqui fica uma entrevista com o realizador Gonçalo Tocha sobre o filme que está em competição nesta edição do DocLisboa.

Como foi parar ao Corvo?
De barco, à boleia com o marinheiro suíço Jean-Claude. Mas já sabia que ia ao Corvo e ia preparado para começar a filmar.

Quão distante (ou próximo) da realidade era o conhecimento que antes tinha da ilha?
Tinha o desconhecimento de quem nunca lá tinha ido e daí o impulso de descobrir. Apesar de ir aos Açores, a São Miguel, quase todos os anos desde criança, o Corvo era um outro mundo inacessível. Tão pequeno e longínquo quanto mitológico.

Ao chegar começaram logo a filmar, ou foram-se adaptando ao lugar aos poucos?
Cheguei ao Corvo a filmar e sai do Corvo a filmar.

Como reagiram as pessoas à presença da vossa câmara na sua ilha?
Com a desconfiança inicial perante o estranho. Cheguei vindo da nada, sem conhecer ninguém. Só me cabia em papel provar até onde estava capaz de chegar. Para além disso, a ilha tinha sido fustigada, nos últimos tempos, com reportagens da televisão que, de alguma forma, criticavam o seu modo de vida. Como no Corvo o conceito de cinema não existe, levámos por tabela. Mas no final de contas, gostei desta tensão, nada era dado.

Levou tempo a deixar de se sentir um forasteiro?
Com o segundo retorno fiquei menos forasteiro, e com o terceiro fui adoptado. Por vezes já diziam que já fazia parte da família e que já poderia filmar tudo o que quisesse.

O que mais encanta e o que mais assusta num microcosmos tão pequeno como é o Corvo?
O que mais encanta é o sentimento de pertença. Aqui, como a bordo dos navios, toda a gente conta. Possivelmente menos confortável, é a noção circular do espaço, andamos às voltas, sem sair do mesmo espaço. Todas as conchas protegem e limitam.

Como fazia o dia a dia por lá? O que se fazia depois do trabalho?
Nunca houve “depois do trabalho”. Todos os minutos era para o filme, mesmo os petiscos, os jantares, as festas, o copo no café. Estávamos sempre com a câmara e o microfone ligados.

Leu sobre a ilha antes de ir ou foi descobrindo os lugares, histórias e pessoas já na ilha?
Li tudo o que encontrei escrito sobre o Corvo. Passei duas semanas na Biblioteca Pública de Ponta Delgada. São poucos documentos, cabem numa pasta. Tinha uma noção alargada do que teria sido a ilha nos últimos 500 anos, ainda que não se possa saber muito. Sabia que estava a passar por uma transformação económica e social radical. Mas não se sabia bem que transformação seria essa. Quando cheguei à ilha, havia então tudo para descobrir, as pessoas, a natureza, o passado e o presente.

Sente-se o isolamento? E como se ultrapassa esse isolamento?
Nunca senti isolamento, mas também eu vivi o quotidiano do Corvo através duma aventura.

Está a tentar uma estreia em sala para o filme? Como se faz isso sem ter uma distribuidora?
Vou tentar estreia em sala, e talvez até o faça com a uma distribuidora, se houver sintonia.”

entrevista a gonçalo tocha, por nuno galopim
disponível em sound + vision

adenda – É Na Terra, não é na Lua, de gonçalo tocha, foi o grande vencedor da edição deste ano do doclisboa.

curto

nós nao temos medo que o mar nos alague ou de que a terra nos falte: – temos sempre presente, como salutar advertência, a sensação de que o mundo é curto , e o tempo mais curto ainda.

pág. 46, corsário das ilhas, vitorino nemésio

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