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arquivo da categoria: [ilha]

linha do horizonte

em dias de ilha à vista, contraio uma ponta de inquietação. não me apetece dar existência ao que tenho entre mãos. na ilha sempre fui padecente cronico de doença tão doce. se na minha viagem diária de camionete para a cidade avistava o pico arroxeado da ilha de santa maria, nem punha os pés no liceu. à conta da gazeta repetida, fiquei muitas vezes tapado por faltas. achas que poderia haver aço e paciência para sofrer a chateza das aulas, quando, logo de manhã, e autorizando-se o tempo, se assistia ao parto de uma ilha irrompendo da linha complacente do horizonte, num prenúncio de que havia mais mundo para desbravar?

[marilha, p.192 ~ cristovão de aguiar]

portas do mar

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mar branco, portas do mar

Como acontece na lua, em que a luz solar é reflectida pela sua superfície e durante a lunação, a parte iluminada apresenta-se com vários aspectos, consoante as posições relativas do Sol e da Lua em relação à Terra, a superfície de MAR BRANCO reage do mesmo modo, reflectindo diferentes intensidades de luz, como um organismo vivo, dependendo unicamente das fontes de luz naturais ou artificiais existentes no local. Neste sentido, o branco surge como uma escolha natural para a superfície do trabalho não só pela sua neutralidade, capacidade acrescida em reflectir luz, sua vocação expressiva e leitura poética.

a fotografia, o mural que lá podem ver e o texto são de filipe franco*

portas do mar

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“As imagens da inauguração das Portas do Mar correram mundo como exemplo da funchalização de Ponta Delgada.” - Tibério Dinis, In Concreto

[a ver pelas imagens da rtp-açores quando voltar num dos próximos fins-de-semana para matar saudades da família, não reconhecerei a cidade].

às vacas

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s.miguel, verão de 1994 . joão bento boavida

pode-se dizer que vim de uma familia de lavoura; daquelas pequenas, seis a sete vacas que iam mantendo o sustento da casa, com ordenha manual e leite fresco todos os dias que era distribuido pelos filhos. poucas vezes ia às vacas e quando ia , ficava no cimo do monte a estudar as movimentações e a olhar o horizonte. sempre, o horizonte.

[a fotografia é de joão bento boavida; podem ver mais no excelente blog doze-dezanove.]

dragoeiro

planta liliácea, arbórea da qual se extrai a resina chamada sangue de drago.

- a propósito de dragoeiro ser também o nome de uma companhia teatral insular que apresenta nos dias 27-29 junho na aula magna, s.miguel a obra blasted(ruinas). blog (>) e site oficial (>).

o povo, 2

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expresso das nove; fotos de carlos melo bento [>]

o povo,1

Frente ao Governo Civil, onde se concentrava a multidão, surgiu a Bandeira dos Açores. Comoção e lágrimas em muitos rostos. Um velho, de mãos calosas, rosto queimado pelo sol e povoado de rugas, olhos marejados de lágrimas, ergueu os braços e gritou bem alto:”Agora, sim, sinto-me açoriano e livre”. Estas palavras reflectem bem o sentir de todo um Povo, ressentido e ludibriado por uma minoria activa que era detentora do poder, que não lhe tinha sido outorgado por ele próprio, POVO»[maiúsculas no original].

[José Manuel Oliveira Mendes ~ Do Ressentimento ao Reconhecimento - Vozes, identidades e processos políticos nos Açores (1974-1996), Edições Afrontamento, 2003]

a propósito deste post do ilhas.

pouco mais que paisagem

minha vida é olhar, olhar!

josé de bellegarde, o vigia de baleias

Garden-Party dos Açores

Uma ilha é uma condição invencível. Feita de fronteiras eternas, tempos dóceis, destinos inatos. Mas também de vulcões convulsos e de perguntas nuas. Fugir dela ‘chama-se emigrar’. E desse lugar é possível sentir o abismo da terra a encontrar a ira da água; nessa longa fúria do mar ferve a mais envolvente das violências; ceder à sua força é viajar para o lado mais negro do oceano; é preciso lutar, fazer do corpo um barco, das mãos, remos.

[sérgio dias branco, Ensaio (2000) V-Ludo ~ sdb]

das falas, 2

- a afonia do seu tio é uma coisa antiga ou é de novo?
- o meu tio é açoriano e sabe, os açorianos têm aquela maneira particular de falarem. ele sempre foi muito calado e sempre falou baixinho…

[e mudei de assunto a tentar conter o discurso de sempre]

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