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arquivo da categoria: [ilha]

songbook: autores açorianos

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este livro não tem por objecto a história das canções de autor nos Açores, mas sim uma ferramenta de trabalho para compositores, intérpretes e estudantes, ou uma fonte de referência adicional sobre música, pelo que se desenvolveram todos os esforços para optimizar as potencialidades de uma produção deste género. Daí surgir a designação de Songbook, em detrimento de “Cancioneiro” ou outra designação mais consensual, numa perspectiva de defesa de um património cultural português, bem como a opção de uma edição bilingue: pretende-se registar, documentar e divulgar um património já existente - as canções.

- Rafael Fraga e Augusto Macedo

O TEATRO MICAELENSE NO SÃO LUIZ

ilhas

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Ponta Delgada, o cuidado e a pressa

A cidade de hoje, da última década, herda este passado, assiste à falência da monocultura pecuária, e volta-se para o turismo como motor de subsistência alternativo. Este é um processo que, desenvolvendo comércio e serviços, acentua uma cultura predominantemente urbana, cada vez mais desligada da terra e da sua primeira identidade. Tenha-se como exemplo o curioso aproveitamento da relação com o mar que, herdando a ingénua (?) avenida marginal, a tenta converter no rosto de uma nova e moderna cidade cosmopolita.

in Sérgio Fazenda Rodrigues com João Maia Macedo, açores 2010

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para quem não sabe 9500 é o código postal de ponta delgada. para quem também, ainda, não sabe, é desde alguns meses o nome do cineclube de ponta delgada que ontem inaugurou a sua programação, numa sessão histórica, com les rendez-vous de paris (eric rohmer).

terra nova

o meu pai era um dos que não queria regressar. sentia profundamente que isso fazia parte do passado dele. acabámos por regressar de forma muito semelhante à que conto no livro, quando a minha avó estava a morrer. eu tinha quatro anos e não me lembro de grande coisa excepto de tomar banho “nos tanques”, na água fria, e ir à casa-de-banho no exterior, coisa que nunca tinha visto.

depois do meu pai morrer, tinha eu 22 anos, a minha mãe decidiu que íamos voltar a são miguel. foi aí que pela primeira vez compreendi que estava ligado a esse lugar e me apaixonei por ele. nessa altura era completamente canadiano, não queria ter nada com o meu lado português. e lembro-me de sair do aeroporto e ir de carro até lomba da maia e sentir uma ligação muito forte a este sítio.

- anthony de sá em entrevista a alexandra prado coelho, pág. 13 ipsilon 12/fev.

cartografias dos açores [3]

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rita carvalho
galeria dama aflita
rua da picaria / porto

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rita carvalho
galeria dama aflita
rua da picaria / porto

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A impressão mais forte nesta visita aos Açores foi a de uma inversão total daquilo que é comum no nosso quotidiano urbano. A ideia que quis transmitir com este mapa da Fajã foi precisamente a de um cenário para mim exótico, no qual a Natureza, em vez do Homem, é claramente dominante. De facto, no centro da minha vida está a urbe, a respectiva concentração de pessoas e edifícios, a escassez de animais, o trânsito, a velocidade, etc… Nas suas margens, está o contacto com a Natureza: as visitas esporádicas aos parques e ao campo durante os fins-de-semana. Nos Açores experiencia-se o oposto: as aves e a vegetação são os protagonistas do lugar, como que excluindo o Homem e o seu quotidiano urbano. >

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rita carvalho
galeria dama aflita
rua da picaria / porto

O TEATRO MICAELENSE NO SÃO LUIZ

Dando seguimento a uma relação que levou várias vezes o São Luiz à Ilha de São Miguel, agora é a vez do São Luiz trazer o Teatro Micaelense a Lisboa. Ao longo de uma semana, o Teatro Micaelense, traz uma mostra da cultura açoriana, focalizada em múltiplas vertentes, desde a culinária à música, passando pela literatura, pelo cinema, pela arquitectura e pelas artes visuais. >>

* o grande defeito desta iniciativa é ser em lisboa e, pior, na semana do fantas.

síndroma de ulisses

Tomemos como exemplo Roberto de Mesquita e já vão ver porquê – poeta nascido em 1871 nas Flores, de onde só saíu para uma viagem ao Continente, e cujos escritos já Nemésio considerava “ o melhor exemplo do perfil difuso (…) da Açorianidade”. Este adjectivo é importante, como as brumas. Certo é que R.M. tinha uns traços afrancesados simbolistas porque lia Baudelaire, Verlaine e essa malta, mas distinguia-se deles pelo seu “sentimento de solidão atlântica” que é, afinal, a condição humana dos açorianos, ilhéus no meio do grande mar. Dizer só isto é pouco, pois não faltam ilhéus por esse mundo fora (e alguns dividem o Atlântico connosco), portanto não sejamos arrogantes. Porque é que estarmos insulados nos faz tão diferentes? Porque o Açoriano não está insulado. Ele é insulado. Parêntesis para dizer que, deste modo, a Literatura Açoriana adquire uma geografia muito mais ampla: o Açoriano leva a Ilha para onde quer que vá – arquétipo mítico da Ilha Perdida que já só dentre dele existe, arca de onde se retira material para muita literatura e tema de uma perturbação mutiladora vulgarmente conhecida como “Síndroma de Ulisses” (que não é só açoriano e nada tem de mítico, infelizmente).

carla cook, revista fazendo nº28

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