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arquivo da categoria: [ilha]

ilheu1

ilheu2

 

curta-metragem de ficção que nos mostra o quotidiano de uma mulher perdida no tempo e abandonada na sua fajã. A sua idiossincrasia fá-la reviver o momento marcante do êxodo daquele lugar, trazendo-lhe paz na comunhão com a ilha.

ser ilhéu / francisco rosas 2013 >

vou-me embora, disseste,
sem mentir à face,
sem pousar os olhos nos espelhos da casa.

ontem, deixei incenso
dentro da tua sombra.
estavas deitado dentro da tua morte,
como um santo.

emanuel jorge botelho
antero de quental, a vida e uma manhã

feliz natal

domingos rebêlo para a capa da revista “Os Açores”, no natal de 1922

waiting in the isles

it’s the middle of nowhere, and its closer than you might think. the splendid remoteness of the azores is just over two hours by air from lisbon, about three from london, a little more than four from boston.

the nine islands were discovered in stages in the mid-15th century by a sucession of portuguese explorers. today, the azores are an autonomous region of portugal, home to about 250 000 souls – and possibly the single most under-value under-exploited asset in the world.

the admittedly unscientific sample of taxi drivers, shopkeepers and bartenders consulted while visiting são miguel, the largest and most populated of the islands, confirms that the azores are a nice place to live: temperature, friendly, safe, peaceful, inexpensive, offering ready access to beaches, countryside and mountains.

however, it is not necessary to spend much time to begin wondering why portugal doesn’t do more with the azores, especially given the presently cobwebbed state of national coffers. it seems a bit like going out panhandling when you have an attic full of rembrants.

andrew mueller, monocle issue 57 – october 2012

outro eu

aquela zona era, assim, um micro-espaço dentro de um micro-espaço, […] uma ilha dentro de uma ilha.
fez-se luz, catarina branco

homo açorensis

conviction purement vitale et arbitraire sur la singularité tellurique de son pays et, par lá, sur l’isollement farouche et présompteux de sa nature. l’idée d’une atlantide engloutie dans les eaux, dont les açores, les canaries, madère et cap vert n’eussent été que le sommets d’une cordillière affaisé, le mettait en colère, car elle ruinait la possibilité d’une structure açoréenne autonome et le mythe de l’homme açoréen sans ancêtres, le mythe de monsieur queimado.

le mythe de monsieur queimado – vitorino nemésio

o micaelense

revela desde a fala ao tom bosselado das feições uma preocupação de insulanismo tão estreme, tão rija e calada que em toda a parte o impões como alguém que é alguém. porventura lesado na partilha dos dons agradaveis, insinuantes, que foram ter de preferência aos seus irmãos das outras ilhas, é ele que levanta a enxada mais alto, a crava mais fundo, e com mais vigor lhe extrai a terra já dócil ao grão e já penetrável ao tubérculo.

vitorino nemésio

ando, por aí, com a memória magoada,
desavindo com o presente, farto de palavras engomadas para o futuro.

o hoje é um tempo entre aspas,
o amanhã um buraco negro de reticências.

pág.59, 30 crónicas ii
emanuel jorge botelho

[..]

o banco de antero sempre foi, para mim, um lugar de culto, que quase oração.
aprendi-o, com o meu pai, numa manhã de doze anos.
a gente ia a aproximar-se, quando ele pegou na minha mão e foi dizendo, baixinho, o soneto ‘na mão de deus’.
hoje, ainda o oiço, hoje, quando ali me sento, os seus dedos continuam a tomar conta dos meus.

em ano que já cá não está, ia eu a rasgar a miserável tristeza que, há muito, sitia o campo de são francisco, quando deparei com um casal em frente do banco de antero.
ela vinha de máquina fotográfica ao peito e ele, num rodopio imbecil, sentou-se, abriu os braços, e disse em alta voz:
– “tira-me uma fotografia! foi aqui que o gajo se suicidou!”

quando a máquina fotográfica disparou, todas as pombas, feridas de vergonha, levantaram voo…

pág.15, 30 crónicas II
emanuel jorge botelho

portas do mar

que vos pode dizer um homem
acabado? cheguei à cidade
e apenas percebi as ondas,
a geografia vagamente familiar das ruas,
a estranheza limpa dos rostos.

por aqui, vive-se ou morre-se
de passado; tem-se da esperança
uma ideia anteriana, mas menos exigente.

um cheiro a sal e basalto entranha-se devagar nas veias.
sabemos que vai ficar, mas não sabemos como.
enquanto até as nuvens parecem sorrir
e tingem de ‘cinza roxa’ as calçadas e os dias.

página 7, portas do mar
manuel de freitas

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