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arquivo da categoria: [definições]

falsa

sobrecâmara;
compartimento esconso na parte superior de um edifício;
sótão.

divisão essencial numa casa micaelense, à qual se acede por umas escadinhas num canto da cozinha, sem alçapão mas com uma porta pequena que obriga a curvar o corpo para se poder entrar. o meu quarto sempre foi na falsa e quando vou à ilha é lá que fico. pequena, em que só consigo estar de pé no centro junto à viga mestre da casa, mas que mantem uma outra vida impregnada em cada parede. tem apenas uma janela, que nunca consegui abrir, sobre a cama. ruidosa nas noites de frio, mas sempre a abraçar a imaginação para lá do vidro.

[a propósito de um texto de sérgio fazenda sobre os sótãos, caves e outros lugares de memória]

trigo e ervilhaca

plantas de decoração no natal; devem ser plantadas no início de dezembro, o trigo ao sol e a ervilhaca no escuro para posteriormente fazerem parte do presépio, junto com as mandarinas (ou tangerinas?). mandaram-me dois sacos de sementes, consegui plantá-las sem as matar e posso finalmente espalhá-las pela casa. há pequenas coisas que nos fazem estar mais perto da ilha.

ilha

do Lat. insulas. f.,

1. porção de terra cercada de água em toda a sua periferia.

2. dá-se o nome de ilha a um tipo de bairro operário surgido na segunda metade do século XIX na cidade do Porto. esta ilha é um tipo de habitação operária muito diferente do de outras cidades industriais, como Lisboa ou as cidades industriais britânicas. trata-se de pequenas habitações de um único andar, com áreas que não excediam os 16 m2, construídas em fileiras sucessivas, muitas vezes costas com costas, nas traseiras das casas da classe média que davam para a rua. dados recentes apontam para a persistência de 1.130 ilhas espalhadas pela cidade do Porto. >

derriço

vocábulo que pode ser encontrado no dicionário como sinónimo de escárnio, troça ou impertinência e figurativamente como namoro ou galanteio. na ilha, a minha avó e lá em casa, derriço, não longe do sentido figurativo acima, referia-se a namoro ou brincadeira excessiva quer envolvesse contacto físico ou não. numa linguagem à morangos, curtir.

dragoeiro

planta liliácea, arbórea da qual se extrai a resina chamada sangue de drago.

- a propósito de dragoeiro ser também o nome de uma companhia teatral insular que apresenta nos dias 27-29 junho na aula magna, s.miguel a obra blasted(ruinas). blog (>) e site oficial (>).

os maios, na ilha

com que prazer não esperavam os rapazes, em cada ano, o despertar do primeiro de maio para vêr os maios engraçadissimos vultos de homens e mulheres, feitos de roupa, postados às janelas, muito empertigados, muito enfeitados, em posições e trajes ás vezes extravagantes e até risiveis. e os rapazes demoravam-se jubilosos para admirar aqueles bonecos que pareciam figuras humanas, mas eram imóveis. por brincadeira dirigiam-lhes perguntas a que êles respondiam com uma mudez parvoa.

[alma do povo micaelense, p.153 ~  padre ernesto ferreira]

as maias, no porto

flores de giesta colocadas às janelas e às portas para que ‘não entre o maio em casa’.

bruma

dizia o meu sobrinho – nevoeiro especial que vem do mar.

calafans

emigrantes açorianos nos estados unidos, canada ou bermuda. {facilmente reconheciveis pelo “yeh” em todas as conversas, meias pretas com sapatos brancos arrendados ou roupa 3 números acima do que seria necessário}

Pombinha

nome que se dá a uma pequena bandeira de damasco de seda vermelha com uma pomba de setim branco e fio de oiro e dobrada em forma de triângulo.

[página 175 ~ os impérios, a alma do povo micaelense. padre ernesto ferreira]

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