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arquivo da categoria: [avulsos]

tópicos para uma fantasia

. somos ilhas à deriva
. somos fusos horários
. somos horizontes quebrados
. somos vozes estáticas

ou o toque que ainda nos marca.

fluxo

beija-me gentilmente,
recolhe as minhas pérolas de adrenalina
e acarinha-las com a tua saliva:

cospe o teu medo.
engole a minha vida.

[versão livre de moon ~ bjork, 2011]

regresso ao futuro

já estou há um mês deste lado do mundo e este aberrante fuso horário faz-me sentir como se estivesse numa viagem a regressar ao futuro:

- esse parece imutável e é a nostalgia pelo passado que se impõe como a grande viagem.

sobre a fantasia

- i’m in love with you.
- no, you’re in love with fantasy.

versão alternativa do diálogo de abertura entre gil pender e inez em ‘midnight in paris’ ~ woody allen, 2011.

lume brando

neste momento, são aproximadamente 8100 km de distância, menos 8 horas de fuso horário e cerca de 11 horas de avião que me afastam de portugal. até março de 2012, esta possibilidade de uma ilha continuará, como no último mês, em lume brando.

fakebook, google less e similares

são redes sociais a mais para tão pouca amizade.

in a mulher certa

Qual de nós dois é a sombra do outro?

E, por fim, Deus regressa
carregado de intimidade e de imprevisto
já olhado de cima pelos séculos
humilde medida de um oral silêncio
que pensámos destinado a perder

Eis que Deus sobe a escada íngreme
mil vezes por nós repetida
e se detém à espera sem nenhuma impaciência
com a brandura de um cordeiro doente

Qual de nós dois é a sombra do outro?
Mesmo se piedade alguma conservar os mapas
desceremos quase a seguir
desmedidos e vazios
como o tronco de uma árvore

O mistério está todo na infância:
é preciso que o homem siga
o que há de mais luminoso
à maneira da criança futura.

José Tolentino de Mendonça
(e todos devem saber porquê >)

deus, pátria e família

portugal está para acabar,
é deixar o cabrão morrer.

b fachada

este não é um blog político

O equilíbrio de forças que resultou das eleições agrada-me. O PSD tem a autoridade mas não tem maioria. Sócrates obteve menos votos que Santana em 2005. Paulo Portas não arrasou. O Bloco foi castigado por não ter feito, no tempo certo,  uma oposição decente à economia vodoo dos socialistas. O PCP — um anacronismo útil em tempos de crise — reforçou o seu mandato para defender os mais fracos, com ou sem Coreia do Norte.

Agora precisamos de sossego. O sossego que nos falta desde que o escândalo Casa Pia transformou o PS numa instituição acossada, raivosa, sectária, com delírios revanchistas. Foi esse o partido que pegou em Sócrates e o acompanhou no triunfo, na inconsciência, na pulsão de morte e na ruína do país. É provável que muitos socialistas despertem hoje estonteados e que sintam, para sua surpresa, um secreto alívio: como foi possível, perguntarão. Eis uma boa pergunta.

Por enquanto as perspectivas não são más: o pagamento das dívidas ocupará os vencedores, vexames vários entreterão os vencidos. O país terá um Governo, se se pode chamar governo à administração de um protectorado, enquanto o PS e o Bloco procuram novos líderes.

Sim, vai haver miséria: a miséria é o legado destes seis anos.

(…)

luis m. jorge, vida breve

confissão

há um homem mau em mim
que me segreda maldiçoes
que me segreda inquietações
e que me nega o dia sim
e só sossega no dia não
quando me arranca o coração

que vive para naufragar
e que levanta vendavais
e não tem medo do fim

caro comparsa, onde mora o mundo
afonso pais / jp simões

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