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arquivo da categoria: [avulsos]

da busca da felicidade

Aliás, Perry concorda com quem desconfia da busca da felicidade.

“Procurar a felicidade (por si só) soa um pouco vazio e auto-indulgente.”

Dá o exemplo de quem aprende a tocar piano – e fica feliz  com isso – para inverter a lógica . “Em vez de procurar a a felicidade, deviamos procurar como tocar o piano” , ou seja , as coisas concretas que nos farão, depois , felizes.

Entrevista  a Philippa Perry  –  Gorjão Henriques
Revista 2 , Jornal Público Domingo, 24 Março 2013

como calha

viver no lixo ou na cama casar na cama ou na capela putas vinho e cinderela caça ao fim-de-semana ganhar o pão de gravata a chafurdar-me na lama ficar para sempre com a manuela ou não se ama como calha por que é que não é tudo como calha nem mesmo no acaso a culpa falha bem que podia ser tudo como calha. matar a velha das finanças ou ser verde e amoroso no andanças a encher as freaks todas de esperanças e lembranças uma vida de caganças juntar-me a um homem lindo ou fingir que vou dormindo onde calha por que é que não é tudo como calha nem mesmo no acaso a culpa falha bem que podia ser tudo como calha. fica sempre tanta gente para trás ou é para a frente nem me lembro agora tanto faz os ofícios as rotinas que escaparam rapaz as mentiras as meninas que deixaste em paz as leituras as viagens as carreiras que deixaste em paz já perdeste um companheiro e estás inteiro sem os sonhos que deixaste em paz a velha ganância a namorada de infância a casa no bairro o carro e tudo o que não volta atrás do karma que deixaste em paz.

como calha, b fachada

seremos reticências,
suspensos no silêncio.

eu, no vazio de um hospital. {by matilde viegas}

‘always the silent one….who sneaks up from behind’
– matthew dear, earthforms

alguém lhe perguntou um dia
“morres por mim ?”, ao que ele dizia
“eu não”

[bom homem ~ os pontos negros, 2012]

Don is back. How do you Draper?

sobre o presente

Well, here we are, trapped in the amber of this moment. 
There is no why.

Slaughterhouse-Five, Or The Children’s Crusade:
A Duty-dance with Death – Kurt Vonnegut.

1559

faz cinco anos que o primeiro post tomou forma, na ilha aquando do meu regresso. entretanto parti para o meu porto e daí para o quase outro lado do mundo. regressarei é certo, e à ilha também, como todos os açorianos. por mais evasivo que seja, esta ‘possibilidade de uma ilha’ não deixa de acompanhar e reflectir pequenas brechas na solidão de um homem. desde então foram 1558 posts (1559 com este) num blog de baixa tiragem e para uma minoria de fieis seguidores.

enquanto puder, continuarei por aqui. obrigado.

nas trevas

e como estrelas duplas consanguíneas,
luzimos de um para o outro
nas trevas.

herberto helder

uma relação amorosa

este homem quer. tem vinte anos e quer. baixa-se porque quer. põe-se em bicos de pés porque quer. vem depois uma mulher que também quer. baixa-se porque quer. põe-se em bicos de pés porque quer. há no entanto um desencontro. quando o homem se baixa, porque quer, a mulher eleva-se. e o contrário. nunca se encontram, apesar de quererem o mesmo.

gonçalo m. tavares, visão 23.junho.2011

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