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arquivo do mês: [05, 2012]

filmes vistos em maio

>> no cinema

touch of evil ~ orson welles, 1958 *****
lola ~ jacques demy, 1961 ****
alpeis ~ giorgos lanthimos, 2011 ****
l ~ babis makridis, 2012 ***
stillleben – sebastian meise, 2011 **

>> em casa

arena ~ joão salaviza, 2009 ***
rafa ~ joão salaviza, 2012 ***
cerro negro ~ joão salaviza, 2010 ***
absent ~ marco berger, 2011 ***

ando, por aí, com a memória magoada,
desavindo com o presente, farto de palavras engomadas para o futuro.

o hoje é um tempo entre aspas,
o amanhã um buraco negro de reticências.

pág.59, 30 crónicas ii
emanuel jorge botelho

selvagens

os teus olhos são enganadores
e de vez em quando, começas
um sorriso:

“a felicidade é um aborrecimento
e o tempo escasso”

de coração vazio, não consigo dizer
para continuares a fingir.

[versão livre de wild ~ beach house, 2012]

no mar

sombras que crescem.
para o mundo, subitamente,
me engolir:

o meu silêncio
a tua alma.

[versão livre de on the sea ~ beach house, 2012]

indielisboa num fim de semana

alpeis ~ giorgos lanthimos, 2011 ****
comédia de absurdos sobre a existência humana
– o luto através da reconstrução.

l ~ babis makridis, 2012 ***
outra comédia de absurdos sobre a existência humana
– metáfora da desilusão e a procura um novo começo.

stillleben – sebastian meise, 2011 **
deixa-me empatar o silêncio com antony and the johnsons.

[..]

o banco de antero sempre foi, para mim, um lugar de culto, que quase oração.
aprendi-o, com o meu pai, numa manhã de doze anos.
a gente ia a aproximar-se, quando ele pegou na minha mão e foi dizendo, baixinho, o soneto ‘na mão de deus’.
hoje, ainda o oiço, hoje, quando ali me sento, os seus dedos continuam a tomar conta dos meus.

em ano que já cá não está, ia eu a rasgar a miserável tristeza que, há muito, sitia o campo de são francisco, quando deparei com um casal em frente do banco de antero.
ela vinha de máquina fotográfica ao peito e ele, num rodopio imbecil, sentou-se, abriu os braços, e disse em alta voz:
– “tira-me uma fotografia! foi aqui que o gajo se suicidou!”

quando a máquina fotográfica disparou, todas as pombas, feridas de vergonha, levantaram voo…

pág.15, 30 crónicas II
emanuel jorge botelho

portas do mar

que vos pode dizer um homem
acabado? cheguei à cidade
e apenas percebi as ondas,
a geografia vagamente familiar das ruas,
a estranheza limpa dos rostos.

por aqui, vive-se ou morre-se
de passado; tem-se da esperança
uma ideia anteriana, mas menos exigente.

um cheiro a sal e basalto entranha-se devagar nas veias.
sabemos que vai ficar, mas não sabemos como.
enquanto até as nuvens parecem sorrir
e tingem de ‘cinza roxa’ as calçadas e os dias.

página 7, portas do mar
manuel de freitas

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