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arquivo do mês: [08, 2011]

a espera, 2

como um vírus, caçador paciente,
estou à tua espera
estou esfomeado por ti.

[versão livre de virus ~ bjork]

a espera

fiquem tranquilos,
a besta, a seu tempo, chegará.

[versão livre de in the devil's territory ~ sufjan stevens]

explicação da ausência

desde que nos deixaste o tempo nunca mais se transformou
não rodou mais para a festa não irrompeu
em labareda ou nuvem no coração de ninguém.
a mudança fez-se vazio repetido
e o a vir a mesma afirmação da falta.
depois o tempo nunca mais se abeirou da promessa
nem se cumpriu
e a espera é não acontecer — fosse abertura —
e a saudade é tudo ser igual.

- daniel faria,”explicação das árvores e de outros animais”

ausência

fala

ouvir-te-ei
ainda que os segredos
as amoras me chamem

diz-me
que existirão lágrimas para chorar
na velhice
na solidão

ainda que acordes os olhos dos deuses

fala

ouvir-te-ei
a coragem

alguém de nós que já não está

- Daniel Faria, “Oxálida”

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