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arquivo do mês: [06, 2011]

dia dos açores

decreto regional nº 13/80/a

formada por pequenas comunidades isoladas durante séculos, a região autónoma dos açores manteve cultos e práticas profundamente populares, totalmente enraizadas no quotidiano e de origem vincadamente portuguesa.

porventura o mais significativo de todos eles será a comemoração do espírito santo – em que se entrelançam as mais nobres tradições cristã com a celebração da primavera, da vida, da solidariedade e da esperança -, comemoração cuja vitalidade se alarga naturalmente a todos os núcleos de açorianos espalhados pelo mundo.

as celebrações são espontâneas, tão vividas e tão intensas que a natureza das coisas como que impõe um inevitável descanso no primeiro dia útil que se lhes segue.

porque é o mais popular dos dias de repouso e recreio em toda a região, entende-se justo consagrá-lo como afirmação da identidade dos açorianos, da sua filosofia de vida e da sua unidade regional – base e justificação da autonomia política que lhes foi reconhecida e que orgulhosamente exercitam.

assim, e nos termos o artigo 229º, nº1, alínea a), da constituição, a assembleia regional dos açores decreta o seguinte:

artigo único – 1 – considera-se como dia da região autónoma dos açores a segunda-feira do espírito santo. 2 – é feriado regional o dia referido no número anterior.

diário da republica, 1 série – nº192-21-8-1980

a minha ilha

quando chegares a lisboa, a ilha passa a ser, apenas, uma lembrança desbotada!”, tinham-me dito, sem uma gota de sal nos lábios, alguns ocupantes da terra.
não foi assim!
a cidade era enorme, a minha ilha, a minha ilha, imensa.

emanuel jorge botelho
pág. 55, 30 crónicas

over it

hipster rules:
1. never try. never put effort in anything.
2. only like things ironically. Books, movies, tv shows, the environment.
3. you can never show too much enthusiasm.
4. everything is dumb.

happy endings, ep.7 temporada 1

coração doente

não são os meus olhos –
são apenas as batidas de um coração doente
disparando no escuro.

leva-me, mylobe,
espero por ti
há tanto tempo.

[versão livre de plath heart ~ braids, 2011]

sobre listas

há gente que coloca a lista de filmes que viu em determinado mês no seu blogue por um só motivo: mostrar ao mundo o quão maravilhoso é o seu gosto e quão impressionante é a quantidade de filmes que vê por mês. para se armar, no fundo. no meu caso, essa não é a única razão. passo a colocar aqui esta lista, essencialmente, porque sou preguiçoso. vejo mais filmes num mês do que aqueles sobre os quais tenho vontade de escrever alguma coisa, e preciso do exercício.

fábio jesus, os novos pornógrafos

este não é um blog político

O equilíbrio de forças que resultou das eleições agrada-me. O PSD tem a autoridade mas não tem maioria. Sócrates obteve menos votos que Santana em 2005. Paulo Portas não arrasou. O Bloco foi castigado por não ter feito, no tempo certo,  uma oposição decente à economia vodoo dos socialistas. O PCP — um anacronismo útil em tempos de crise — reforçou o seu mandato para defender os mais fracos, com ou sem Coreia do Norte.

Agora precisamos de sossego. O sossego que nos falta desde que o escândalo Casa Pia transformou o PS numa instituição acossada, raivosa, sectária, com delírios revanchistas. Foi esse o partido que pegou em Sócrates e o acompanhou no triunfo, na inconsciência, na pulsão de morte e na ruína do país. É provável que muitos socialistas despertem hoje estonteados e que sintam, para sua surpresa, um secreto alívio: como foi possível, perguntarão. Eis uma boa pergunta.

Por enquanto as perspectivas não são más: o pagamento das dívidas ocupará os vencedores, vexames vários entreterão os vencidos. O país terá um Governo, se se pode chamar governo à administração de um protectorado, enquanto o PS e o Bloco procuram novos líderes.

Sim, vai haver miséria: a miséria é o legado destes seis anos.

(…)

luis m. jorge, vida breve

the tree of life

119.

the earth skims throught an envelope of luminous white gas,
in eventless rounds.

the dying sun (cgi) – planetary nebula – tender music

the dying sun collapses to a fraction of its former size, a white dwarf now.

all man’s sacrifice, his work, his suffering and genius are gone without a trace. nothing seems the better or worse for it, nothing improved or diminished. he was here one day, swept away the next.

the sun, torn from its axis, drifts through space without purpose or direction, an undistinguished cinder glowing with a faint blue light, no brighter than today’s full moon.

behind it, like a lost child, trails a remmant of the earth.

[the tree of life ~ terrence malick, 2011]

the tree of life

The film was shot largely in the town of Smithville, although we see a truck with the words “City of Waco” on its side. That is almost the only traffic; children play, unthreatened, on tranquil streets, under skies of perpetual balm. Among the kids is Jack (now played by the excellent Hunter McCracken), a boy growing up with his younger brothers, R.L. (Laramie Eppler) and Steve (Tye Sheridan), under the wing of their parents, Mr. O’Brien (Brad Pitt) and his wife (Jessica Chastain). Neither of the parents earns a first name, and, like many of Malick’s dramatis personae, they feel at once solid and ungraspable. The mother, with her Pre-Raphaelite copper hair, is little short of an angel—at one point, she dances on air, like Winona Ryder at the end of “Beetlejuice”—and somehow, though the O’Briens are not well off, she never wears the same dress twice. The father works at a local factory, but Malick chooses, again, not to bother us with details. Of more concern to him is what O’Brien could have done: he plays the piano at home and the organ in church, and he puts on Brahms’s Fourth Symphony during supper. We are left with a sorrowful sense of wrong turnings taken, never to be retraced.

Sorrow issues in wrath, and “The Tree of Life” wakes up as we realize that O’Brien is venting his frustrations on the family. To begin with, severity and affection intertwine: “Do you love your father?” he asks Jack. “Yes, sir,” the boy replies. But tempers are lost, offenders are shut in closets for daring to talk back, and we get a frightening scene in which the sons are taught, or commanded, to swing a punch at the patriarch. “Hit me,” O’Brien says, baring his jaw. That, for once, is the most salient feature of Pitt’s anatomy. We have grown so fond of his doleful eyes, and the wide crack of his grin, that it’s quite something to find the actor leading with his chin, jutting it stubbornly toward a world that has fallen short of his great expectations. Add the heaviness of his tread and the thick rims of his spectacles, and you get his manliest performance to date, with the last flickers of pretty boy snuffed out.

anthony lane, the new yorker (>)

there are two ways through life: the way of nature, and the way of Grace. you have to choose which one you’ll follow.

[the tree of life ~ terrence malick, 2011]

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