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arquivo do mês: [04, 2011]

filmes vistos em abril

>> no cinema
o estranho caso de angélica ~ manoel de oliveira, 2010 ****
tournée ~ mathieu almaric, 2010 ****
rosa de areia ~ antonio reis & margarida cordeiro, 1989 ****
jane eyre ~ cary joji fukunaga, 2011 ****
source code ~ duncan jones, 2011 ***
scream 4 ~ wes craven, 2011 ***
quinze pontos na alma ~ vicente alves do ó, 2011 **
thor ~, kenneth branagh, 2011 *
rio ~ carlos saldanha, 2011 *

>> em casa
i confess ~ alfred hitchcock, 1953 ****
attenberg ~ athina rachel tsangari ****
the wrong man ~ alfred hithcock, 1956 ****
la solitudine dei numeri primi ~ saverio costanzo, 2010 ***
stage fright ~ alfred hitchcock, 1950 ***
i shot my love ~ tomer heymann, 2010 ***
white material ~ claire denis, 2010 ***
last night ~ massy tadjedin, 2010 ***
dark city ~ alex proyas, 1998 ***
afterwards ~ gilles bourdos, 2008 ***
the other woman ~ don roos, 2009 ***
under capricorn ~ alfred hitchcock, 1949 **
kowning ~ alex proyas, 2009 **
in a better world (haevnen) ~ susanne bier, 2010 **
le divorce ~ james ivory, 2003 **
you again ~ andy fickman, 2010 **
homme au bain ~ christophe honoré, 2010 º

nossos amores



ali, o lírio dos celestes vales
tendo seu fim, terão o seu começo,
para não mais findar, nossos amores.
antero de quental

[o estranho caso de angélica ~ manoel de oliveira, 2010]

angélica


A.P. This film leads once again to the controversy of ‘frustrated loves’ that has figured in all your films.

M.O. Love is abstract and it’s absolute. True passion between two beings is so violent that it doesn’t even admit children. They would be disruptive to absolute love. Absolute love craves androgyny, it’s the anxiety of two beings to become just one. it’s an impossible desire, but it’s real. Here, everything is violent. This is a terrifically violent film and much more violent than my films about war, which reveal a more or less calculated violence. This is real, it kills. It comes from the individual, the person. The act of filming is… I mean, of photographing, is in itself violent.

I once said that a director is like a murderer. And just as a murderer can’t avoid killing, the director can’t avoid the act of filming. It’s its own attraction and it’s fatal because it has nothing to do with life. Life is something else.

A.P. But when you film life aren’t you really filming death? Isn’t it death that you’re continually filming?

M.O. Well, I presume to know a bit about life, but I know nothing about death. I’ve never tried it, no one has. So it’s a puzzle: we don’t know anything.

in press packet cannes 2010

[o estranho caso de angélica ~ manoel de oliveira, 2010]

amor

da melancolia
do abandono
que nos diz que o amor é só aqui
na poesia.

canção da esquina
afonso pais / jp simões

perdido


por onde começar?
a memória cegou-nos.

[versão livre de blind ~ chapel club ]

sobre a doença

dois suburbanos de meia idade, frustrados e depressivos, com o diagnóstico de novo de uma neoplasia. ela (laura linney – the big c/showtime/darlene hunt) tenta encontrar algum humor na vida e em terapêuticas alternativas; ele (bryan cranston – breaking bad/amc/vince gilligan) tenta encontrar subversivamente financiamento para uma quimioterapia milionária e sustento da família.

ciclo

we get sick alone, we live alone, we die alone.

the big c, temporada 1

a poesia da terra

[…] filme que é um desafio: um desafio, primeiro, aos cânones e normas estabelecidas (a dificuldade para encontrar quem o quisesse estrear é um sintoma da violência deste desafio); um desafio, depois, ao espectador: para entrar nesta espécie de palco cósmico onde se encenam os mais variados tempos e lugares (Rosa de Areia é um filme de lugar nenhum, num tempo sem data, mas é em simultâneo um filme de todos os lugares e de todos os tempos) é preciso merecê-lo e avançar de espírito tão despojado quanto possível. Afinal de contas, o que está aqui em causa, mais do que a poesia da terra, é a poesia da Terra.

luis miguel oliveira >>

[rosa de areia ~ margarida cordeiro & antónio reis, 1989]

aquilo que resta

tirou umas caixas que estavam na segunda prateleira. de lado estava escrito instantâneas a caneta vermelha indelével. despejou o conteúdo em cima da mesa. com os dedos espalhou várias fotografias. algumas estavam coladas. alice passou-as em resenha velozmente e, por fim, encontrou a que procurava.

observou-a demoradamente. mattia era jovem e ela também. estava de cabeça inclinada. era difícil analisar a expressão e verificar, assim, a semelhança. já se passara muito tempo. talvez demasiado.

aquela imagem parada fez emergir outras e a mente de alice juntou-as recriando o movimento, os fragmentos de sons, farrapos de sensações. sentiu-se invadida por uma nostalgia lancinante, mas agradável.

se pudesse escolher um momento a partir do qual recomeçar escolheria precisamente esse: ela e mattia num quarto silencioso, com as suas intimidades que hesitavam tocar-se mas cujos contornos coincidiam exactamente.

pág. 238, a solidão dos números primos – paolo giordano
la solitudine dei numeri primi ~ saverio costanzo

revelação, 2

talvez nos caiba viver por cidades estranhas
em casas que esconderão sempre o seu medo
e a sua glória
sós diante dos céus
sem a certeza culminante


o mundo é  aquilo que nos separa do mundo.

pág. 19, jose tolendino de mendonça
o viajante sem sono

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