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arquivo do mês: [11, 2010]

the american

“‘Bourne meets Antonioni!’ is not a marketer’s dream tagline,” notes Mark Olsen in the Voice, and not without some degree of sympathy for the team trying to pass off Anton Corbijn‘s The American as “a fast-paced Euro-stylish thriller starring George Clooney as a dashing, conflicted hero.”

[the american ~ anton corbijn, 2010]

love me or leave me

o amor é uma expectativa.

[les amours imaginaires ~ xavier dolan, 2010]

duplicidade

és o meu delírio preferido
e eu, o teu pesadelo recorrente.

[versão livre de castles in the snow ~ twin shadow]

o teu toque

[les amours imaginaires ~ xavier dolan, 2009]

o teu sabor

[les amours imaginaires ~ xavier dolan, 2009]

versão livre # 28: vai por mim

1. zumbido azedo, norberto lobo
2. o amor como nos filmes, feromona
3. nós os outros, linda martini
4. amantes eternos, o verão azul
5. nabucodonosor, tiago guillul & rui reininho
6. vai por mim (cimento no coração), mendes & joão só
7. solstício!, pedro da rosa
8. murmúrios de um segredo, peixe:avião
9. desassossego, azevedo silva
10. à pele que há em mim, márcia
11. amor é só febre, os pontos negros
12. essa dor não existe, nuno prata
13. dança dos parvos, dias de raiva
14. drop, gala drop

14 músicas, 83.7mb, 50min [download zip file /ouvir]
do amor e outros afins

a separação, 4

como era possível, ele pensava.

página 136 (e última), flores azuis
carola saavedra

a separação, 3

é, porque eu tenho a certeza de que fiz ago errado, algo terrível, algo impronunciável. como um assassino que apagou da memória o momento do crime, e agora os gestos harmoniosos e a voz suave e pausada, agora todo um equilíbrio, mas ficou naquele espaço um vestígio, uma névoa. e, ainda que se apague, e depoiis voltemos a escrever por cima, mesmo que debaixo de mil camadas, sempre algo que delata, algum atrito, ainda que gestos harmoniosos e a voz suave. porque, por mais que se queira, nunca é impossível apagar o momento do crime. sempre o atrito, mesmo que apenas uma linha, um contorno. ainda que façamos visitas, levemos flores, escrevamos poemas. ainda que tentemos ser bons. porque não há nada mais perigoso do que tentar ser bom. a certeza de que na bondade residem os piores delitos, as maiores injustiças na bondade.

página 91, flores azuis
carola saavedra

a separação, 2

ontem fiquei pensando nisso, no amor, nessa insistência no amor, como se o amor pudesse nos salvar de tudo, ou ao menos de alguma coisa, como se o amor pudesse nos salvar do ódio, da loucura e até do desejo. quem será que inventou isso? se nem mesmo do amor o amor nos salvaria. que dizer então da tristeza, da indiferença e daquele inevitável momento em que o amor acaba. aquele momento que achamos que nunca vai chegar. e como saber quando o amor acaba? haverá um instante, uma linha divisória, uma revelação, um despertador interno que toca, e pronto, acordamos e dizemos, ainda sonolentos, acordamos e dizemos, pronto, acabou. levantamos, nos vestimos, pegamos a bolsa ou a mala, e saímos. lá fora, a luz da manhã de um dia qualquer, as pessoas nos ônibus indo trabalhar, as crianças de uniforme, o café com leite das padarias, tudo tão quotidiano, tão normal. como é possível tudo tão quotidiano, enquanto lá dentro, num apartamento, num quarto, numa cama, lá dentro o amor que acaba de acabar. ou vai o amor acabando desde o início, desde o primeiro beijo, o primeiro olhar, a intuição de que algo se desgasta, se desfaz. e, por mais beijos e olhares e todas as palavras felizes e tolas que possamos inventar, sempre algo à espreita que nos inquieta. algo que, no exacto instante em que começa, dá início também ao inevitável processo de extinção.

página 35, flores azuis
carola saavedra

a separação

dizem que a separação nunca é um núcleo, uma urgência. dizem que ela começa em seu avesso. e que é justamente no momento mais suave, o primeiro encontro, o primeiro olhar, que a separação começa a existir. eu prefiro acreditar que a separação nunca termina, e que o último dia,a última noite, é um instante que se repete, a cada espera, a cada volta, cada vez que sinto a tua falta, cada vez que pronuncio o teu nome. eu acredito que, ao te chamar, uma estratégia, um encanto, eu seja capaz de fazer com que você se vire e olhe, e, sem perceber, estenda entre nós um atalho, uma ponte.

página 5,  flores azuis
carola saavedra

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