arquivo do mês: [10, 2010]
cadernos pretos & outros parecidos
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martha & george
Truth versus illusion. Reality versus fantasy.
I was in there having a beer one night, and I saw “Who’s Afraid of Virginia Woolf?” scrawled in soap, I suppose, on this mirror. When I started to write the play it cropped up in my mind again. And of course, who’s afraid of Virginia Woolf means who’s afraid of the big bad wolf . . . who’s afraid of living life without false illusions. And it did strike me as being a rather typical, university intellectual joke. — Edward Albee
[who's afraid of virginia woolf ~ mike nichols, 1966]
bezerro
bezerro, 2010 (giz e tinta de ardósia s/PVC, 95x135cm)
JOÃO PEDRO VALE
english as she is spoke
07/10 a 12/11/2010
galeria fonseca macedo
a cada um a sua maleita
isso não me devia ser particularmente molesto, porque sempre advoguei o carácter saudável da doença. não, não é por blague que o proclamo, tão-pouco pelo gosto duvidoso dos paradoxos chilros que confesso cultivar. é porque entendo geralmente – sem prejuízo de em certas ocasiões entender justamente o contrário – que cada qual deve acalentar dentro de si uma doença. mens sana in corpore sano - para quê?!… devemos é ter dentro de nós um relógio que nos lembre periodicamente quia pulvis sumus, que temos tributos a pagar à mecânica da carne. e que cada um pague na moeda de que dispuser. retirem a uma velha aristocrata os seus flatos e gases: restará uma peça humana incaracterística, insípida, insuportável. e que dizer de um general na reserva que não padeça de gota ou asma? um arremedo de general. por isso digo: a cada um a sua maleita.
é evidente que não sou insensato a ponto de preconizar que se devam ter doenças mortais ou demasiado penosas. morrer – deve-se morrer de cansaço e déjà-vu. não de acidentes cardiovasculares; e o sofrimento que a vida nos reserve, que seja de amor ou, quando muito, de sapatos apertados. a doença ideal é pois algo de crónico, que ande colado a nós como a própria pele, que se faça sentir benevolamente quando estivermos dispostos a isso. provocando incómodos ligeiros.
pág. 178, desidério in o porco de erimanto
a.m. pires cabral
por favor, não olhes
da felicidade, o sofrimento:
não desisto até parar de respirar,
oh. não o consigo contigo
a olhar para mim.
[versão livre de he would have laughed, deerhunter 2010
o filme do desassossego, II
não sou pessoano, no entanto li tudo o que pude dele no liceu e até comprei o livro do desassossego, a edição da assírio & alvim, num alfarrabista no porto a mais de 70% de desconto e ainda embrulhado em plástico aderente. claro que isso é acessório. o certo, e o cliché, é que todos afirmam a perturbação que o livro inflige e deliciam-se com sublinhados e copy/paste sucessivos do mesmo. pode parecer ofensivo, mas por vezes também me incluo nesse grupo. voltando ao que interessa, o filme – joão botelho tem uma obra quase irrepreensível (se se tivesse poupado ao corrupção, pe.) e o ultimo (a corte do norte) foi extasiante. o mesmo poderia dizer deste filme, ou conjunto de trechos cinematografados. visualmente imaculado, o filme do desassossego peca pela longa récita e pelo não despertar qualquer desassossego. alexandre lencastre como centro de mesa ou o strip complementado pela educadora catarina wallenstein são momentos exemplares, mesmo que o strip pareça um exagero naquele instante. os interludios musicais numa tentativa de ritmar aquela sucessão de trechos não me pareceram eficazes (continuo a não empatizar nem com lula pena nem com fadistas cool), e as duas horas foram claramente excessivas. perdi-me na ópera. longe, fixei apenas as imagens, tudo o resto foi acessório. apesar disso, o filme continua a merecer um aplauso.
o filme do desassossego
ou a pornografia intelectual.










