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arquivo do mês: [10, 2010]

filmes vistos em outubro

>> em casa
who’s afraid of virginia woolf ~ mike nichols, 1966 *****
the postman always ring twice ~ tay garnett, 1946 ****
les amants criminels ~ francois ozon, 1999 ****
martin ~ george romero, 1977 ****
serbis ~ brillante mendonza, 2008 ***
o pagador de promessas ~ anselmo duarte, 1962 ***
scott pilgrim vs the world ~ edgar wright, 2010 ***
l’arnacoeur ~ pascal chaumeil, 2010 ***
sitcom ~ francois ozon, 1998 ***
le refuge ~ francois ozon, 2009 ***
ricky ~ francois ozon, 2008 ***
mine vaganti ~ ferzan ozpetek, 2009 ***
la fille coupée en deux ~ claude chabrol, 2007 ***
whip it ~ drew barrymore, 2009 **
near dark ~ kathryn bigelow, 1987 **

>> no cinema
mistérios de lisboa ~ raul ruiz, 2010 ****
o filme do desassossego ~ joão botelho, 2010 ***
eat pray love ~ ryan murphy, 2010 *

fff

até 7/nov >

mistérios de lisboa, 2

Raúl Ruiz is one of the great cinematic self-perpetuators, like Louis Feuillade and Jacques Rivette—a film like this gathers a motion and a rhythm that makes it feel like it could on and on, self-generating new stories and new characters ad infinitum.  Based on the novel by Camilo Castelo Branco (whose writing has been the source for Oliveira’s similarly fatalistic romance,Doomed Love), Mysteries of Lisbon is, to paraphrase a line from one of its many characters used to describe a disastrous relationship he had, a game that turns into a bourgeois romantic drama, to which I would add, that turns into a game.  It starts—as all stories must?—with an orphaned boy questioning his parentage and falling into a fever, and out of that starting point the film evolves less as a story than a cartography of characters crossing points in space and time.  On paper it is indeed all melodrama: identities revealed, lives saved in the past coming back to haunt the saviors, secret connections, loves turns to hatreds.  But as traced by Ruiz’ oscillating tracking shots, which arc back and forth across rooms, pleating our view onto itself, folding time and space and people, the 19th century soap opera is transformed into an oneric submergence into ill-wrought fate, stories-within-stories, the nesting of all things, and the mysterious system which, quivering with ironic mirth and melancholy, holds everyone in place.  This elegantly languorous, epic film (four and a half hours long), carries with it a paradoxical sense of infinite expansion outward, with each new character, each new place a new story, a new irony, a new connection backwards and a suggestion thrown forwards, yet this expansion seems to exist within a closed system.  If this closure is not the film itself, which must end, than it is some other, secret measure of control that binds the interlocking orbits of people and their passions in space and time and does not allow them to escape.  Perhaps the Mysteries are both expanding and elastic? Certainly a model for the universe, if that’s the case.  As for the bourgeois drama, everyone’s fable-like unsurprise at the strange motions, histories, and identities of those characters around them opens their simple emotions to a greater cosmic plane, as if they have an awareness they have to live both in the elastic, restricted world (of their society, of a normal dramatic film) and one that has mysterious, expanding mind of its own.

daniel kasman, tiff 2010

mistérios de lisboa, 1

a esperança da morte é o paraíso dos infelizes.

[mistérios de lisboa ~ raul ruiz, 2010]

condição

daria todo o meu amor,
sonharia contigo para sempre
e sob um cedro cantaria sobre nós –
se um coração ainda me mantivesse.

[versão livre de blue as your blood, the walkmen 2010]

senhor da sua morte

zézinho, ouve bem o que te digo – disse ele, moderando um pouco o entusiasmo, decreto em razão de reconhecer que eu, naquele momento, ainda não estava em condições de lho compreender, logo, de lho secundar – um coração doente é o melhor tesouro que um homem pode ambicionar. bem sei que eles acham que não. ainda ontem esteve um deles a falar na televisão: que estamos em Maio, que Maio é o mês do coração, que é preciso olharmos pelo coração, vigiar o peso, fazer exercício, não fumar…. tretas! o que eles querem dessa forma é despojarmos de uma das nossas maiores riquezas, que é a morte rápida, oportuna e inopinada, provocada por um enfarte, para nos entregar de mão beijada à morte lenta, preenchida de dores, provocada por algum cancro ou coisa assim. ou, se calhar ainda pior, à vida puramente vegetativa do mal de alzheimer. achas que ganhamos com a troca? hã? quem aceitará morrer às dentadas de um cão rafeiro, podendo morrer arrebatado por uma águia-real?

pág. 238/9, senhor da sua morte in o porco de erimanto
a.m. pires cabral

renata correia botelho

Qual é, então, a perspectiva que Renata Correia Botelho tem sobre a sua situação periférica, a sua insularidade e o impacto que isto tem na sua produção poética? A sua resposta acaba por ser mais ou menos expectável: “apesar de todas as condicionantes, como ter de viajar imenso para matar saudades de um quadro ou de um rio, viver nos Açores, longe do mundo mas perto do céu, é uma bênção.”. Depois, recordando Cecília Meireles, diz que “os dias felizes estão entre as árvores, como os pássaros”. Árvores e pássaros povoam o vocabulário deste livro. A poesia portuguesa que a precedeu tratou de carregar de significados e referencias estas duas palavras. Basta-nos pensar em Eugénio de Andrade. A juventude da autora, felizmente, não a impede de construir, em pé de igualdade com as figuras tutelares, um espaço próprio em redor destas palavras: “os pássaros morrem sempre/ de noite, e os sinos tocam/ os seus nomes pela madrugada.” ou “fingindo a vida e logrando/ a morte, recolhendo à terra,/ passarinho, sem nada temer,// recolhendo à terra.”. Ainda em relação aos Açores, Renata refere que a sua poesia se constrói, numa primeira camada, no seu contacto intenso com a natureza e a sua ilha funciona, aí, mais como uma montra privilegiada do que como uma limitação.

david teles pereira, pág. 24/25 ipsilon 22 outubro 2010

Things aren’t perfect

– Remember this place?
– I do.
– It’s different. That’s for certain.
– Isn’t that what you wanted?
– I don’t know, don.
– Things aren’t perfect.

ep 13 e último da série 4, mad men

os outros

não precisamos dos outros
para estarmos sozinhos.
estamos juntos,
apenas, por nossa conta.

[versão livre de people, superpitcher 2004]

fuga

com o tempo, nada é superado.
o que antes excitava, agora entedia.

as coisas serão sempre assim?

– liberta-te. vem comigo.
para longe. todos os dias.

[versão livre de coronado, deerhunter 2010]

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