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arquivo do mês: [09, 2010]

notorious

a sensualidade lânguida de ingrid bergman – mulher apaixonada e insegura que emergiu na amoralidade de um caso de espionagem após uma vida leviana. cary grant sabe conduzi-la tão bem. para além de um glorioso preto&branco, é talvez uma das mais bem conseguidas histórias de hitchcock.

[notorious ~ alfred hitchcock,, 1946]

Grant & Bergman

[notorious ~ alfred hitchcock,, 1946]

bells

os pássaros morrem sempre
de noite, e os sinos tocam
os seus nomes pela madrugada

nevou durante mais de quarenta horas
sobre as ruas vazias,
cobrindo de branco
o voo nocturno do anjo.

renata correia botelho, small song 2010

el pájara

é de ti, passarinho, que fala
esta música. espero-te à varanda
do meu quarto, num abismo
que se ergue do chão aos meus olhos
ainda baços. encontraste aqui,
como eu, a tua sombra, pajarillo

tú me despertaste, enseñame a vivir
e vamos juntos, por aí, numa voz só,
entoando esta cantiga com os cavalos
bravos, fingindo a vida e logrando
a morte, recolhendo à terra,
passarinho, sem nada temer,

recolhendo à terra.

renata correia botelho, small song 2010

de cara a la pared

foi talvez a nossa última canção.

oiço ainda os corpos a vincar a noite,
um campo minado de corações tristes
explodindo o rosto na parede.

muitas músicas depois
quando as paredes eram já outras
e nas caras se perdiam novos nomes

voltei a ela: ficara-me sempre, afinal,
um terrível verso solitário
e a culpa de a ter levado

a um coração onde as canções
morreriam de frio.

renata correia botelho, small song 2010

desastre natural

caro homem do bussaco, espero que não tenhas visto aquele espectáculo desastroso. e afinal, na tua categoria, nem foram os açores que te passaram à frente. a madeira. a madeira…

o tempo e o ‘tempo’ das ilhas

chove a bom chover quando o avião vindo de s.miguel aterra no aeroporto do pico num dos primeiros dias de junho. a montanha encontra-se algures por ali, do lado oposto ao do mar, que se consegue vislumbrar para lá da chuva, e não se deixa ver assim com essa facilidade. mas está lá, com 2351 metros que vêm assinalados nos mapas. fica para mais tarde, bastante mais tarde, vê-la em todo o seu esplendor, caprichosamente negado ao visitante com a mesma veemência com que é escondido aos residentes.

há um percalço com parte da bagagem, estranhamente deixada para trás, logo na portela, e que só será entregue no dia seguinte, quando estamos prestes a atravessar o canal em direcção à horta. o avião tinha chegado com atraso e o tempo começa a ficar apertado para cumprir todo o programa da viagem. prolongar a presença no aeroporto com questionários intermináveis e preenchimento arrastado de formulários de bagagem perdida é a ultima coisa que apetece a metade dos passageiros…

uma mala extraviada é uma mala extraviada em qualquer parte do mundo, uma contrariedade com inevitáveis implicações na rotina imediata do viajante. o mesmo se pode dizer de um voo cancelado pelo mau tempo, que nos deixou imobilizados nas lajes quando devíamos ter seguido até ao faial e deu cabo de metade da viagem. nos açores, porém, estes acidentes de percurso ajudam a perceber mais depressa um aspecto singular da realidade local. aqui, é preciso muito tempo para tudo – as esperas nos restaurantes são longas, as estradas estreitas e sinuosas impoem deslocações lentas, a prestação dos serviços morosa e com qualidade insuficiente, o tempo é caprichoso -, mas não se vê ninguém protestar ou impacientar-se. é como se as distâncias curtas dentro da geografia insular promovessem um enigmático (mas nada problemático) alongamento do tempo permitindo que, ao fim e ao cabo, tudo se faça sempre, sem correrias nem pressão.

carlos pessoa – cinco ilhas, cinco mundos; fugas/público 4set2001

este é o inicio de uma longa reportagem sobre uma viagem às ilhas. apesar de não ser totalmente mal conseguida não me deixa de inquietar a oscilação entre a maravilha fugaz da natureza e o descontentamento civilizacional ao longo de toda a reportagem (admito, no entanto, que a minha visão poderá ser claramente enviesada pela insularidade). as ilhas nunca são aquilo que se esperam. isso fui aprendendo, ao longo de todos estes anos, com as pessoas que convenço a lá ir. além disso,  é difícil escrever sobre os açores; não basta citar raul brandão e lançar alguns parágrafos de prosa poética a destilar os lugares-comuns de quem por lá passa. quanto ao tempo, como me diziam quando cheguei ao porto – “nos açores, vocês estão sempre atrasados. até na hora”. pois claro, vive-se mais.

é

vídeo promocional do homem do bussaco.

meu caro homem do bussaco, não tenhas dúvidas – “só os açores é que é lindo“. o único senão na promoção dos açores é ter a sónia tavares na banda sonora.

Top 10 Reasons to Visit the Azores

1. Sustainable Tourism
The Azores were named the “world’s 2nd best island destination for sustainable tourism” by National Geographic Traveler.
2. Easy Access
The Azores are very easy to get to, accessible via a 4 hour non-stop flight from Boston.
3. Remote Location
The Azores are one of the most isolated and remote places in the world.
4. Sport Fishing
The Azorean waters are perfect for fishing. There’s nothing like experiencing the thrill of landing a giant blue marlin.
5. Photography
The Azores’ rugged coasts, emerald green mountains and flower filled valleys bring such great color and diversity to the landscape that photographers will have a field day with the tones, textures and patterns that nature offers.
6. Hiking
The Azores have many marked hiking and walking trails throughout all of the islands offering unmatched vistas, flowery fresh air, and tranquility.
7. Great People
What strikes many about the Azores, as much as its beauty, are its people. The people of the Azores are, by and large, a very friendly and kind population who exude warmth towards their visitors, including Americans (especially those from New England).
8. Festivals
Azorean summers are filled with festivals that range from simple village affairs to week long extravaganzas.
9. Whales
Culturally, whaling played a huge role in the Azores until it was outlawed in 1984. Now the Azores are one of Europe’s premier whale watching destinations.
10. Wellness
Traveling to the Azores gives one a chance to return to the kind of life that we evolved from over thousands of years.

brilliantazores, via ilhas.

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