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arquivo do mês: [07, 2010]

filmes vistos em julho

>> em casa

micmacs ~ jean pierre jeunet, 2009 ***

kynodontas ~ giorgos lanthimos, 2009 *****

ondine ~ neil jordan, 2009 ***

Les parapluies de cherbourg ~ jacques demy, 1964 ****

afterschool ~ antonio campos, 2008 ***

la dolce vita ~ federico fellini, 1960 ****

um amor de perdição ~ mario barroso, 2008 ***

repo men ~ miguel sapochnik, 2010 ***

xxy ~ lucía puenzo, 2007 ***

voy a explotar ~ gerardo naranjo, 2008 ****

j’ai tué ma mère ~ xavier dolan, 2009 ***

the prestige ~ c. nolan, 2006 ***

>> no cinema

inception ~ chistopher nolan, 2010 ***

io sono l’amore ~ luca guadagnino, 2009 *****

toy story 3 ~ lee unkrich, 2010 ****

nem o chá escapa

a ilha aos poucos desaparecerá. **

fantasmas

chamas e labaredas possuídas
por ventríloquos experientes
que dizem o que não queres dizer.

já conheces o teu fantasma?
já o estrangulaste?

força, antes que ele fale.

[versão livre de killemall ~ menomena, 2010]

voy a explotar

A not so subtle (but not obnoxiously overt) homage to the French New Wave, the works of Jean-LucGodard and the love on the run stories ala “Bonnie & Clyde,” is magnetic (the George DeLerue musical appropriations and lovers bickering recall “Le Mepris,” the colors remind us of “Pierre le Fou,” and the vitality is pure, “Breathless”).

Director Naranjo called the film, “an angst against stillness” and “a way to fight against the inertia that [the teens] feel from their surroundings [and] the nonsense and living in the comforts of an absurd society,” and if this was the aim, never has a more plangent and fiery battle been fought. >>

[voy a explotar ~ naranjo, 2008]

inception

há alguns trailers sobejamente melhores que os filmes. isso não é novidade, mas nunca esperei que isso acontecesse com inception (christopher nolan, 2010) não que estivesse à espera de uma obra-prima, mas pela premissa onírica esperava francamente mais. o primeiro pensamento que me surgiu quando terminou o filme  foi o de que tinha sido demasiado polido. perdeu-se toda a tensão do trailer e aquelas 2h30min serviram de embrulho a meia duzia de balelas metafilosoficas sobre sonhos entremeadas com outras tantas de heist-movie. se estavamos durante todo o filme num sonho ou não, se, por exemplo, acharmos que dom não chegou sequer a acordar do sonho porque afinal não saltou do parapeito de casa tornou-se irrelevante uma vez que todo jogo sonho/realidade foi ofuscado pela fotografia, camaras e cenários perfeitos ou como ela diria – efeitos para arquitectos cocos. de facto, não deixa de ser irritante que isso se tenha perdido durante todo o filme para ser retomado naquela cena cliché de terminar antes que o pino pare para levantar, de propósito, a dúvida. isso já não satisfaz num filme, há tantos por aí fora assim (e francamente melhores). parece que não gostei do filme, mas não. christopher nolan não faz maus filmes, mas também não é desta que fez uma obra-prima. conseguiu um razoável blockbuster-de-autor que entusiasmará os mesmos que há uns anos atrás ficaram extasiados com outro filme meta-qualquer-coisa, também, sobre sonhos e outras realidades.

medo

todos os dias fujo
daqueles que me pediram para ficar,

oh mylove
todo o meu amor não é suficiente
para suster a tua inquietação.

agora tenho medo,
sente o meu corpo a tremer.

oh mylove
todo o teu amor não é suficiente
para suster a minha inquietação.

agora tenho
medo. medo. medo. medo.

[versão livre de oh pretty boy, you’re such a big boy ~ menomena, 2010 ]

dispara

– não esperes.
– agora?
– sim. dispara. como se não me voltasses a ter.

despedidas

Les parapluies de cherbourg ~ jacques demy, 1964

despedidas

Les parapluies de cherbourg ~ jacques demy, 1964

o que está para além das sebes?

volto a falar de kynodontas por duas razões:

a primeira, pelas sebes; para além delas como tudo o que é inatingível fica o possível verdadeiro mundo. esta imagem, a do filho mais velho a olhar as sebes, é o paradigma da esperança. tudo poderá estar além;

a segunda, pelo confinamento no cinema onde há, pelo menos, dois filmes que merecem destaque – underground (emir kusturica, 1995) e the village (m. night shyamalan, 2004). é claro que as abordagens são díspares, mas convergem naquilo que é mais importante, na realidade que nos é oferecida a viver, na existência de uma barreira e na expectativa de a ultrapassar.

[kynodontas ~ giorgos lanthimos, 2009]

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