saudade
toda esta dor
é maior
do que o frio deixado pela tua
ausência.
toda esta dor
é maior
do que o frio deixado pela tua
ausência.
sinto sempre como se estivesse correndo
não para muito longe
porque tal lugar não existe.
- é mais fácil correr
do que esperar e descobrir que foste o único
que não correu?
[versão livre de Running ~ Gil Scott-Heron, 2009]
Quando perguntei se tinha uma relação directa com a morte do seu pai, ocorria-me ter sabido de uma maneira tão brutal e tão cedo dos limites, da finitude e da necessidade de prosseguir.
Acho que percebi e não percebi. Percebi ali a finitude, as circunstâncias da vida, as dificulda- des que se levantavam, todas as decorrências possíveis e imaginárias. Mas a experiência mais radical que eu tive não foi essa. Curioso: sou invariavelmente insultado ou elogiado por um carácter literário que eu acho que a minha obra não tem. Algumas obras literárias são fundamentais para a minha vida, mas leio pouco. Há uma obra que me marca terrivelmente; eu era miúdo, ia passar férias para casa de uns tios, e um primo meu tinha uns livros que comecei a ler e que me deram cabo do juízo. Eram do Samuel Beckett. Não percebi exactamente o que estava a ler, mas achei que aquilo era uma coisa que estava para além do que eu podia compreender. Isso fez com que eu alterasse muito a minha visão do mundo. Foi-me parar às mãos por acaso. Fiquei obcecado. Abriu-me uma fenda para outra realidade, na qual nunca tinha pensado. Eu era uma criança realista.
O que é uma criança realista?
Era capaz de conviver com todos os sonhos e imaginações e fantasias, mas era capaz de perceber que, se o meu pai tinha morrido, isso tinha implicações sérias nas questões da casa, rendimentos, tudo. Não era uma coisa abstracta e longínqua, era uma coisa muito concreta. Eu era ligado à minha mãe, ainda por cima sendo filho único. Mas o alargamento do meu mundo, a partir de qualquer coisa fundante, deriva da minha leitura do Beckett, e não da minha experiência de vida.
Encontrou no Beckett o quê?
Posso garantir que encontrei algo, mas não sei o quê. Talvez um limite, uma condição trágica, que eu acho que percebi, e que fez com que abandonasse a minha ideia de seguir uma carreira brilhante como engenheiro ou aviador.
- molder, modo de usar; entrevista por anabela mota ribeiro
revista pública 7 fevereiro 2010, pag 51.

1. all the beautiful things ~ eels
2. first day of my live ~ bright eyes
3. please, please, please, let me… ~ she & him
4. Vibrate ~ ryfus wainwright
5. now that i know ~ devendra banhart
6. 2 atoms in a molecule ~ noah and the whale
7. lover’s spit ~ broken social scene
8. there is a light that never goes out ~ the smiths
9. i will follow you into the dark ~ death cab for cutie
10. i love how you love me ~ camera obscura
11. to build a home ~ the cinematic orchestra
12. real love ~ beach house
13. your arms around me ~ jens lekman
14. black is the colour ~ espers
15. sea of love ~ cat power
15 músicas, 58min, 78mb (zip file /stream / ouvir em 8tracks)
i will let you be in my dream if i can be in your dream…
podia servir-lhe de obituário.


rita carvalho
galeria dama aflita
rua da picaria / porto


rita carvalho
galeria dama aflita
rua da picaria / porto

A impressão mais forte nesta visita aos Açores foi a de uma inversão total daquilo que é comum no nosso quotidiano urbano. A ideia que quis transmitir com este mapa da Fajã foi precisamente a de um cenário para mim exótico, no qual a Natureza, em vez do Homem, é claramente dominante. De facto, no centro da minha vida está a urbe, a respectiva concentração de pessoas e edifícios, a escassez de animais, o trânsito, a velocidade, etc… Nas suas margens, está o contacto com a Natureza: as visitas esporádicas aos parques e ao campo durante os fins-de-semana. Nos Açores experiencia-se o oposto: as aves e a vegetação são os protagonistas do lugar, como que excluindo o Homem e o seu quotidiano urbano. >

rita carvalho
galeria dama aflita
rua da picaria / porto
olho para cima e vejo-te novamente sob a luz do sol.
ouço-te num eco de uma concha.
um pensamento bêbado ou uma longa despedida?
promete-me que ficarás igual.
[versão livre de seashell ~ seabear, 2007]
Paris is like a whore. From a distance she seems ravishing, you can’t wait until you have her in your arms. And five minutes later you feel empty, disgusted with yourself. You feel tricked. - tropic of cancer, henry miller
pode parecer absurdo mas sempre quis ir a paris influenciado por miller. não me sinto vazio, apenas cheio de vontade de lá voltar. sim, eu já disse isto mas quando for grande quero emigrar.