Levas-me a dinard?

[conte d'été ~ éric rohmer, 1996]

[conte d'été ~ éric rohmer, 1996]
Dando seguimento a uma relação que levou várias vezes o São Luiz à Ilha de São Miguel, agora é a vez do São Luiz trazer o Teatro Micaelense a Lisboa. Ao longo de uma semana, o Teatro Micaelense, traz uma mostra da cultura açoriana, focalizada em múltiplas vertentes, desde a culinária à música, passando pela literatura, pelo cinema, pela arquitectura e pelas artes visuais. >>
* o grande defeito desta iniciativa é ser em lisboa e, pior, na semana do fantas.
up in the air ~ jason reitman, 2009 ****
antichrist ~ lars von trier, 2009 ****
nine ~ rob marshall, 2009 ***
Did You Hear About the Morgans? ~ Marc Lawrence, 2009 *

Mystery Man: Do you have any idea how much I want to kill you?
Jacob: Yes.
Mystery Man: One of these days, sooner or later, I’m going to find a loophole my friend.
Jacob: Well when you do, I’ll be right here.
Mystery Man: Always nice talking to you Jacob.
Jacob: Nice talking to you too.
Tomemos como exemplo Roberto de Mesquita e já vão ver porquê – poeta nascido em 1871 nas Flores, de onde só saíu para uma viagem ao Continente, e cujos escritos já Nemésio considerava “ o melhor exemplo do perfil difuso (…) da Açorianidade”. Este adjectivo é importante, como as brumas. Certo é que R.M. tinha uns traços afrancesados simbolistas porque lia Baudelaire, Verlaine e essa malta, mas distinguia-se deles pelo seu “sentimento de solidão atlântica” que é, afinal, a condição humana dos açorianos, ilhéus no meio do grande mar. Dizer só isto é pouco, pois não faltam ilhéus por esse mundo fora (e alguns dividem o Atlântico connosco), portanto não sejamos arrogantes. Porque é que estarmos insulados nos faz tão diferentes? Porque o Açoriano não está insulado. Ele é insulado. Parêntesis para dizer que, deste modo, a Literatura Açoriana adquire uma geografia muito mais ampla: o Açoriano leva a Ilha para onde quer que vá – arquétipo mítico da Ilha Perdida que já só dentre dele existe, arca de onde se retira material para muita literatura e tema de uma perturbação mutiladora vulgarmente conhecida como “Síndroma de Ulisses” (que não é só açoriano e nada tem de mítico, infelizmente).
…
carla cook, revista fazendo nº28
Home- where the wheels are turning
Home- why I keep returning
Home- where my world is breaking in two
Home- with the neighbors fighting
Home- always so exciting
Home- were my parents telling the truth?
Home- such a funny feeling
Home- no-one ever speaking
Home- with our bodies touching
Home- and the cam’ras watching
Home- will infect what ever you do
We’re Home- comes to life from outa the blue.
Home ~ Brian Eno & David Byrne
[nip/tuck, 10º e ultimo ep da série 6]

The slower we move the faster we die. Make no mistake, moving is living. Some animals were meant to carry each other to live symbiotically over a lifetime. Star crossed lovers, monogamous swans. We are not swans. We are sharks.
[up in the air ~ jason reitman, 2009]
apercebi-me gradualmente que up in the air significava mais do que aquela hora e meia em que o via agarrado à ideia de que eu poderia viver assim. apesar de ser francamente melhor que juno, quando saí da sala apenas ressoava a voz de elliott smith imbuída da estranheza de uma provável transferência emocional. volto lá e o vagar das nuvens parecem fazer mais sentido. a personagem de george clooney carrega não uma imensa solidão (contemporânea) transparecida no abandono familiar ou na dificuldade em manter relações próximas, mas o vazio. o despojo de se querer carregar mais do que a nós. o vazio, como na mochila que carregamos.
bem que tentei, mas ele trocou-me pelo noddy e ela pelo unicórnio cor-de-rosa. de facto, a minha barba é assustadora.
acordámos
de onde a vida havia parado.
as sombras esvaneceram-se,
outros vultos se aproximam.
talvez só existámos no sonho um do outro.
não há nada de novo em sabermos
que o destino é nosso.
então,
porque continuamos à procura da verdade
se também fomos criados,
pensando que era nossa.
[versão livre de sempiternal/amaranth ~ school of seven bells ]