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arquivo do ano: 2009

Digam-me como é que eu posso não ser regionalista?!

Mesmo assim, que racionalidade explica que o TP conceda o mesmo incentivo financeiro ao Fantasporto [maior festival de cinema de Portugal, 25º maior festival de cinema do mundo] e ao Campeonato Mundial de Jovens Pasteleiros em Lisboa, como esta semana observou o vereador da Câmara do Porto Vladimiro Feliz? Ou que o projecto de animação dos coretos de Lisboa tenha tido, em 2008, o mesmo apoio atribuído à primeira edição do Red Bull Air Race, no Norte?

Não se descortina qualquer critério que justifique tamanha discrepância. Mesmo que ambos possam ser indigestos, para o Turismo de Portugal, um festival de cinema vale tanto como um festim de pastelaria. Afinal, o que distingue um festival de cinema de um campeonato de pastelaria é apenas o local onde se realiza. (Público 26/12)

- via pedro leitão/shakira kurosawa >

Feliz Natal

e bons sonhos e bom bolo-rei e boas fatias douradas.

Shut the Door. Have a Seat.

madmens3e13b

entre portas e sentados, se tomam novas decisões – o título do episódio de mad men ou variações do mesmo repetem-se ao longo de todo o episódio; sempre que se fechava uma porta e  sentavam-se para ouvir, a vida invariavelmente mudava. Na ressaca do assassinato de kennedy, como uma mistura de drama familiar com a separação dos drapper e de heist movie com os rapazes (e senhoras) organizando uma nova agência, o ultimo episódio desta temporada mostrou porque mad men é a melhor série para televisão dos últimos anos (e se dissesse década, acho que não me arrependia).

ep.13 e ultimo da série3, mad men.

Meditations in an Emergency

madmens3e13a

Don: There are people out there who buy things. People like you and me. Then something happened. Something terrible. And the way that they saw themselves… is gone. And nobody understands that. But you do. And that’s very valuable.
Peggy: Is it?
Don: With you or without you, I’m moving on. And I don’t know if I can do it alone. Will you help me?
Peggy: What if I say no? You’ll never speak to me again.
Don: No. I will spend the rest of my life trying to hire you.

ep.13 e ultimo da série3, mad men.

mixtape 18: o teu azar

mixtape18

1. Se por acaso ~ JP Simões / Boato
2. Insónia ~ Tiago Costa / Insónia
3. Fantasma ~ Aquaparque / É isso aí
4. Linhas Cruzadas ~ Virgem Suta / Virgem Suta
5. Um bife no chiado ~ Os quais / Meio disco
6. O Desamor ~ B Fachada / B Fachada
7. Império ~ Samuel Úria / Nem lhe tocava
8. Hurt ~ Misia / Ruas
9. Oh! ~ Real Combo Lisbonense
10. Cabanas (Peterpantismo) ~ Doismileoito
11. Vento em Polpa ~ Norberto Lobo / Pata Lenta
12. Vida tão estranha ~ Rodrigo Leão & Cinema Ensemble / A mãe
13. I just wanna know ~ The Legendary Tiger Man / Femina
14. Um amor impossível ~ Bernardo Sassetti / Um amor de perdição

14 músicas, 55 min, 77mb (ouvir/download zip file).
uma mixtape que bem pode conter o melhor de portugal em 2009 (sem ordem de preferência).

o ar que não lhe chegou

[...]

pensou nas maneiras de pôr fim à vida. injecções letais não podia ser. tinha horror a agulhas, e depois de certeza que não ia acertar na veia, e ia jorrar sangue por todos os lados, e ia acabar por desmaiar. sem morrer. má ideia. por outro lado, também podia deixar-se ficar estendido no chão. o sangue a esvair-se lentamente, até não sobrar nenhuma gota. suficientemente tétrico e calamitoso. imaginou a polícia a abrir a porta da casa de banho e a encontra-lo submerso numa poça de sangue, mas ainda a tempo de o ouvir declamar a última frase. qualquer coisa como “é tarde de mais”, “já não pertenço a este mundo” ou “por favor, mudem a areia do gato”. e depois dava o último suspiro e ia desta para melhor. também podia enfiar-se na banheira e atirar para lá um secador ligado à corrente. já tinha visto isso num filme e tinha resultado lindamente. o problema é que não tinha banheira, só um pequeno poliban (que, por falar nisso, estava entupido, tinha de chamar lá alguém para tratar do caso). de certeza que o resultado não ia ser o mesmo. na pior das hipóteses apanhava um choque que lhe faria perder a sensibilidade nas mãos, e depois como é que se podia matar condignamente? pistola não tinham e também não se queria meter em ilegalidades. sem licença de porte de arma, nada feito. estava nisto quando o telefone tocou, fazendo-o saltar no sofá.*

[...]

pág. 42, revista nós escritores ~ ana garcia martins
revista da edicão de fim de semana do i

* com muita dificuldade tenho que resistir a não desvendar o fim. este conto é delicioso (um dos melhores da revista).

o bater de um coração

o monstro procura-te!
é um caçador de corações solitários.

para onde achas que vais correr
com o bater de um coração pequeno?

[versão livre de norway ~ the beach house, 2009]

Where the Wild Things Are

wild2

max é uma criança em ruptura. vive com a mãe que tem um novo namorado e uma irmã adolescente que parecem ter deixado de lhe dar atenção, solitário nas suas brincadeiras, sente-se  traído e abandonado. para culminar,  na escola, a possibilidade de que o sol pode acabar deixa-o ainda mais perturbado. numa das discussões com a mãe, veste a pele de um lobo e foge – quantos de nós já não quiseram fazer o mesmo. where the wild things are é o desejo de nos encontrarmos; mas nem tudo é tão perfeito quando o imaginaríamos, e essa terra também pode ser confusa e assustadora. spike jonze não fez nenhuma obra-prima. o argumento é frágil, as personagens muitas delas planas que pouco vão além daquele semblante depressivo, o tempo fugidio. mas isto é o mundo de uma criança, é um sonho de querer fugir e regressar.

[Where the Wild Things Are ~ Maurice Sendak, 1963/Spkike Jonze, 2009]

perfection

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nothing is as perfect as you can imagine it.

[Where the Wild Things Are ~ spike jonze, 2009]

sadness

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Will you keep out all the sadness?

[Where the Wild Things Are ~ spike jonze, 2009]

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