este não é um blog sobre cinema
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Tal como o cinema, a cinefilia também muda. Na introdução que escreveu para o dicionário de Kamp e Levi, Mexia diz mesmo que “cinéfilo” é uma palavra que “caiu em desuso” e que “sugere um mundo outrora novo e admirável mas que entretanto se tornou museológico”. Naqueles que hoje poderiam corresponder ao conceito, observa “uma grande tribalização de gosto, pessoas que vêem cinema asiático e só vêem aquilo, gente que muito erudita e que sabe tudo sobre o seu cantinho, mas que se calhar nunca viu um Antonioni”. No passado recente, acrescenta, “um cinéfilo tinha de ter visto os russos, o expressionismo alemão, o cinema clássico norte-americano, o novo cinema europeu – hoje, isto que era o be-á-bá já não integra o currículo obrigatório.”
A cinefilia passou também a ser uma actividade de caçador solitário. David Pereira devora as suas presas em casa, sozinho, sem ninguém ao lado com quem discutir os filmes, embora mantenha algum diálogo virtual, através da Internet, com outros jovens cinéfilos de gostos afins. Nada de parecido com o que conta João Félix, que, aos 15 ou 16 anos, ia ver os filmes de Bergman com amigos, e que depois passava horas a discuti-los, dando voltas intermináveis a um jardim público.
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pág. 9, luis miguel queirós – ípsilon 15maio2009








