os filmes independentes costumavam ser coisa de cinéfilos, para os frequentadores de festivais que riam das piadas de caserna, que apreciavam os seus parcos meios de produção e aplaudiam a sua ousadia formal. tudo mudou em 1994, quando ‘pulp fiction‘, que custou 8 milhões de dólares, ultrapassou os 100 milhões de receitas só nos eua. desde então, filmes de pequeno orçamento têm sido produzidos incessantemente por companhias ligadas aos grandes estúdios e por jovens cineastas ambiciosos em busca de uma carreira de sucesso em hollywood.
quando diablo cody, a argumentista de ‘juno‘, ganhou este ano o óscar, ficou claro que os principios que tinham tornado os filmes independentes tão atraentes revelavam ser maneirismos cínicos: a espontaneidade tornou-se estudada; a intimidade preciosa; a ousadia passou a ser o seu próprio valor de choque; o que era pessoal ficou superficial e solipsista; e o desejo de desafiar a narrativa linear transmutou-se em algo incoerente e pretensioso.
[ann hornaday, washigton post / p. 62 ipsilon 24.out trad. rui brazuna]