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arquivo do mês: [10, 2008]

irmãos

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Mio fratello è figlio unico ~ daniele lucheti, 2007

au loin la mer

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e voltam com uma banda cósmica. mas sem ela. sem ela.

[ao longe o mar*; depois de ter ido parar ao youtube seguindo um link daqui, re-descobri um documentário francês sobre os madredeus nos açores. podem comprar aqui, ou, claro ficarem pelos videos aqui, aqui e também aqui].

sair da ilha

quando partimos, queremos e achamos que vamos voltar.

(more…)

semanafantas

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visceral ou cerebral?

{three extremes | dark city | renaissance | primer | strings | das experience | suicidio encomendado}

- cine solmar, ponta delgada 30.0ut > 05.nov [*]

o sofá de ventura

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juventude em marcha ~ pedro costa, 2006

a carta, 3

Nha cretcheu, meu amor, o nosso encontro vai tornar a nossa vida mais bonita por mais trinta anos. Pela minha parte, volto mais novo e cheio de força. Eu gostava de te oferecer 100 000 cigarros, uma dúzia de vestidos daqueles mais modernos, um automóvel, uma casinha de lava que tu tanto querias, um ramalhete de flores de quatro tostões. Mas antes de todas as coisas bebe uma garrafa de vinho bom, e pensa em mim. Aqui o trabalho nunca pára. Agora somos mais de cem. Anteontem, no meu aniversário foi altura de um longo pensamento para ti. A carta que te levaram chegou bem? Nao tive resposta tua. Fico à espera. Todos os dias, todos os minutos, todos os dias aprendo umas palavras novas, bonitas, só para nós mesmo assim à nossa medida, como um pijama de seda fina. Não queres? Só te posso chegar uma carta por mês. Ainda sempre nada da tua mão. Fica para a próxima. Às vezes tenho medo de construir estas paredes, eu com a picareta e o cimento e tu, com o teu silêncio. Uma vala tão funda que te empurra para um longo esquecimento. Até dói cá dentro ver estas coisas más que não queria ver. O teu cabelo tão lindo cai-me das mãos como erva seca. Às vezes perco as forças e julgo que vou esquecer-me.

a carta de ventura. juventude em marcha ~ pedro costa, 2006

a carta, 2

J‘ai rêvé tellement fort de toi,
J’ai tellement marché, tellement parlé,
Tellement aimé ton ombre,
Qu’il ne me reste plus rien de toi,
Il me reste d’être l’ombre parmi les ombres
D’être cent fois plus ombre que l’ombre
D’être l’ombre qui viendra et reviendra
dans ta vie ensoleillée.

le dernier poème ~ robert desnos.

a carta

Inventamos essa carta de amor a três. São algumas linhas das últimas palavras escritas pelo poeta Robert Desnos á sua mulher, a partir do campo de concentração onde morreu, e de frases enviadas por Ventura á sua mulher, que ficou em Cabo Verde. Limitei-me a aproximar duas coisas muito distantes que me pareceram nascer do mesmo sentimento e da mesma prisão. A carta que Ventura ensina apazigua e condena. Noite após noite torna-se mais violenta e sombria. O Ventura di-la com uma tal convicção, um tal delírio, que as paredes da barraca tremem e assustam. Mesmo se fosse escrita, essa carta já não teria destinatário. A prova mais cruel disto está do outro lado do filme, no presente daqueles jovens marcha

pedro costa, sobre a carta de ventura em juventude em marcha.

mea culpa

ao que parece, o grande líder continuará; ainda não mudei a minha área de recenseamento,  irracionalmente não o quero fazer como se assim me mantivesse de alguma forma ligado legalmente (uma vez que afectiva não vejo qualquer risco de perca) à região. infelizmente, como muitos outros deslocados, faço parte da vergonhosa abstenção.

ilusão

se o meu coração tivesse asas,
seria um passaro a chilrear
que voaria onde o amor floresce
e todos tentam ser felizes.

[versão livre ~ supertramp]

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