morte,2
Death Is Not a Parallel Move.
{do album dos of montreal que está para vir}.
Death Is Not a Parallel Move.
{do album dos of montreal que está para vir}.

{o trapezista, rui effe*}
À mesa do café – onde nascem e morrem, num só frame, todas as ideias e projectos na ilha do Faial – um grupo de amigos: “Nunca acontece nada nesta terra! Eh, pá!, e se a gente fizesse um Cineclube?” in cch.
isto a propósito de mensalmente, receber no email a programação do cinceclube da horta que integra a rede alternativa de exibição cinematográfica. só vi um filme no belo teatro faialense, ‘três extremos [cham, miike & chan-wook, 2004]‘ com uma audiência que contava comigo, a minha irmã, um casal e um outro rapaz. o casal abandonou a sala no intervalo e eu tive que convencer a minha irmã a ficar até ao fim. nunca gostei do termo alternativo no cinema. não existe, insisto. há cinema bom e mau, há cinema de autor e por encomenda, há para entreter e reflectir. alternativo sempre sou a presunção. ah, isto tudo aplaudir a programação do cineclube da terra onde nunca acontece nada. este mês , entre outros, ‘lust/caution, ang lee’, ‘garage, leonard abrahason’ e ‘luzes no crepusculo., Kaurismäki ‘. como gostaria de ver este último no faial.
não serão os cineclubes a ultima esperança?

mar branco, portas do mar
Como acontece na lua, em que a luz solar é reflectida pela sua superfície e durante a lunação, a parte iluminada apresenta-se com vários aspectos, consoante as posições relativas do Sol e da Lua em relação à Terra, a superfície de MAR BRANCO reage do mesmo modo, reflectindo diferentes intensidades de luz, como um organismo vivo, dependendo unicamente das fontes de luz naturais ou artificiais existentes no local. Neste sentido, o branco surge como uma escolha natural para a superfície do trabalho não só pela sua neutralidade, capacidade acrescida em reflectir luz, sua vocação expressiva e leitura poética.
a fotografia, o mural que lá podem ver e o texto são de filipe franco*

“As imagens da inauguração das Portas do Mar correram mundo como exemplo da funchalização de Ponta Delgada.” – Tibério Dinis, In Concreto
[a ver pelas imagens da rtp-açores quando voltar num dos próximos fins-de-semana para matar saudades da família, não reconhecerei a cidade].

[sukkar banat/caramel ~ nadine labaki, 2007]
[não sei é a ilusão que me mantem vivo]
não sei onde tenho estado
mas, sei para onde vou
- mergulhar no vulcão.
[como aquela rapariga japonesa. talvez estivesse a tentar voltar ao ventre. à terra. ao início do mundo]
versão livre de volcano, beck ~ modern guilt, 2008

já começou – até 13.julho ± vila do conde
e porventura hoje estamos a aproximarmo-nos de um limiar homólogo – uma nova ‘experiência de vida’ paira no ar, uma percepção da vida que destrói a forma narrativa centrada e linear e transmite a vida como um fluxo multiforme, inclusivamente no domínio das ciências duras; parece que estamos obcecados pela aleatoriedade da vida e as versões alternativas da realidade. ou sentimos a vida como uma série de múltiplos destinos paralelos que interagem e são afectados de um modo crucial por encontros contigentes sem significado, pontos de intersecção nos quais uma série flui noutra (ver short cuts de Altman), ou como uma repetição continua de diferentes versões/desfechos do mesmo argumento (os ‘universos paralelos’ ou ‘mundos alternativos possiveis’ – vejam-se os filmes de kiéslowski, blind chance, a dupla vida de verónique, e vermelho…). esta percepção da nossa realidade como um dos desfechos possíveis – muitas vezes nem sequer provaveis – de uma situação ‘aberta’, esta ideia de que outros desenvolvimentos possíveis não são eliminados, continuando a assombrar a nossa realidade ‘verdadeira’ como um espectro do que podia ter acontecido e conferindo-lhe um estatuto de fragilidade e contingências extremas, colide implicitamente com as formas narrativas predominantemente ‘lineares’ da nossa literatura e do nosso cinema …
[páginas 173-4, slavoj žižek ~ lacrimae rerum]