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linha do horizonte

em dias de ilha à vista, contraio uma ponta de inquietação. não me apetece dar existência ao que tenho entre mãos. na ilha sempre fui padecente cronico de doença tão doce. se na minha viagem diária de camionete para a cidade avistava o pico arroxeado da ilha de santa maria, nem punha os pés no liceu. à conta da gazeta repetida, fiquei muitas vezes tapado por faltas. achas que poderia haver aço e paciência para sofrer a chateza das aulas, quando, logo de manhã, e autorizando-se o tempo, se assistia ao parto de uma ilha irrompendo da linha complacente do horizonte, num prenúncio de que havia mais mundo para desbravar?

[marilha, p.192 ~ cristovão de aguiar]

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