s.joão
A noite veio das mais fluidas, com um céu azul-escuro, pouco luar. Eles saíram no alvoroço meridional das festas, e Flora sentia o coração com risos, e achava lindos os balões venezianos das ruas, em túneis feéricos, de indianos brilhos. Ao pé das cascatas o povoléu empurrava-se. A música tocava o São João. E os bandos de festeiros passavam com violência, de braços dados, chapéus de palha, cantarolando em coro. A alegria doidejava, peninsular e rumorosa com a tontura do vinho e de amores. Das janelas cheias deitava-se fogo, dentro corria um bem-estar risonho e na rua compacta ia um frémito – como se em toda aquela gente houvesse umas grandes núpcias de coração. Os buscapés rabiavam; (…) e no azul veludoso os foguetes estoiravam em girândolas, e punham lágrimas.
[julio brandão, via portus-cale]
um bom s.joão a todos*
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