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arquivo do mês: [05, 2008]

Garden-Party dos Açores

Uma ilha é uma condição invencível. Feita de fronteiras eternas, tempos dóceis, destinos inatos. Mas também de vulcões convulsos e de perguntas nuas. Fugir dela ‘chama-se emigrar’. E desse lugar é possível sentir o abismo da terra a encontrar a ira da água; nessa longa fúria do mar ferve a mais envolvente das violências; ceder à sua força é viajar para o lado mais negro do oceano; é preciso lutar, fazer do corpo um barco, das mãos, remos.

[sérgio dias branco, Ensaio (2000) V-Ludo ~ sdb]

dormir

deixa-me ficar uma semana; no teu sofa embora preferisse dormir na tua cama, ou ainda melhor podíamos fugir e nunca dormir*

[versão livre de undeclared ~ the dodos 2008]

mr. oliveira & eu

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cannes 2008, lifetime achievement award >>
(o meu primeiro oliveira foi aos 20 anos com “porto da minha infância“; “vale abraão” talvez seja o meu preferido; e “non ou a vã glória de mandar” aquele com o melhor título).

caderno vermelho

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moleskine: red notebook, 48 páginas.
[24 entradas: colagens e rabiscos de 05.nov.07 a 18.mai.08]

sobre a fuga

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# vinte e quatro. caderno vermelho.

mr. jones & eu

Não me deu para fazer um filme, nunca tive um chicote e nunca usei um chapéu igual ao de Indiana Jones. Limitei-me a ver o filme. Dezenas de vezes. Seguramente, o filme que mais vezes vi nos últimos 27 anos. A sala de cinema onde vi, aos seis anos, pela primeira vez (e pela segunda) Os Salteadores da Arca Perdida já não existe. O que antes era conhecido como Alfa Triplex (que ficava no Areeiro, em Lisboa) é agora um condomínio.
Quando apareceu lá em casa, a meio dos anos oitenta, o primeiro gravador-leitor de vídeo, foi dos primeiros filmes que gravei, de uma Lotação Esgotada das quartas-feiras à noite, na RTP1, com anúncios da época. Essa cassete foi substituída por outra, parte integrante de uma caixa com os três filmes da série, que, por sua vez, passou do prazo quando os mesmos filmes saíram em DVD e, inevitavelmente, foram parar a uma prateleira de casa.
Ter visto os Salteadores tantas vezes é uma proeza de utilidade discutível. De acordo. Saber recitar o diálogo completo (com variações de voz) entre Harrison Ford e Alfred Molina a discutirem numa caverna colombiana não é coisa que se tenha em destaque no currículo, nem é uma experiência recomendável reproduzir o concurso de quem bebe mais shots de bagaço entre Karen Allen e um nepalês mal-encarado. Mas há qualquer coisa num filme em que um dos vilões é um macaco que sabe fazer a saudação nazi.

[marco vaza - publico 19.maio.08 página 4]

quando em 1989 estreou o último dos indiana jones tinha 7 anos e nunca tinha ido ao cinema. só os conheci pelas sessões de lotação esgotada e matinés da rtp-açores e, tal como no artigo do público, também foram gravados em vhs e vistos e revistos muitas vezes até as cassetes terem alguns riscos.  fizeram parte do meu imaginário  (qual ‘geek’ confesso que também quis ser indiana jones em puto, para além de hans solo). o quarto filme será a minha estreia no cinema e só espero que me traga duas horas como as de outros tempos, apenas isso.

das falas, 2

- a afonia do seu tio é uma coisa antiga ou é de novo?
- o meu tio é açoriano e sabe, os açorianos têm aquela maneira particular de falarem. ele sempre foi muito calado e sempre falou baixinho…

[e mudei de assunto a tentar conter o discurso de sempre]

das falas, 1

- o sr é estrangeiro, não é?
- não. sou de cá.
- ah… de onde?
- dos açores.
- ah… sabe eu já estive na madeira.

[um dos diálogos mais frequentes que se tem em território continental, sendo açoriano.]

veludo azul

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feel me. hit me.

[blue velvet ~ david lynch, 1986]

a insuficiência do tempo

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por uma vida ou duas tenho sonhado contigo, my lobe!
- 15 minutos contigo, 10 minutos contigo, 5 minutos contigo não saberia o que fazer.
quero mais, sempre.

[versão livre de i wouldn't know what to do ~ the honeydrips, 2008]

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