Não me deu para fazer um filme, nunca tive um chicote e nunca usei um chapéu igual ao de Indiana Jones. Limitei-me a ver o filme. Dezenas de vezes. Seguramente, o filme que mais vezes vi nos últimos 27 anos. A sala de cinema onde vi, aos seis anos, pela primeira vez (e pela segunda) Os Salteadores da Arca Perdida já não existe. O que antes era conhecido como Alfa Triplex (que ficava no Areeiro, em Lisboa) é agora um condomínio.
Quando apareceu lá em casa, a meio dos anos oitenta, o primeiro gravador-leitor de vídeo, foi dos primeiros filmes que gravei, de uma Lotação Esgotada das quartas-feiras à noite, na RTP1, com anúncios da época. Essa cassete foi substituída por outra, parte integrante de uma caixa com os três filmes da série, que, por sua vez, passou do prazo quando os mesmos filmes saíram em DVD e, inevitavelmente, foram parar a uma prateleira de casa.
Ter visto os Salteadores tantas vezes é uma proeza de utilidade discutível. De acordo. Saber recitar o diálogo completo (com variações de voz) entre Harrison Ford e Alfred Molina a discutirem numa caverna colombiana não é coisa que se tenha em destaque no currículo, nem é uma experiência recomendável reproduzir o concurso de quem bebe mais shots de bagaço entre Karen Allen e um nepalês mal-encarado. Mas há qualquer coisa num filme em que um dos vilões é um macaco que sabe fazer a saudação nazi.
[marco vaza - publico 19.maio.08 página 4]
quando em 1989 estreou o último dos indiana jones tinha 7 anos e nunca tinha ido ao cinema. só os conheci pelas sessões de lotação esgotada e matinés da rtp-açores e, tal como no artigo do público, também foram gravados em vhs e vistos e revistos muitas vezes até as cassetes terem alguns riscos. fizeram parte do meu imaginário (qual ‘geek’ confesso que também quis ser indiana jones em puto, para além de hans solo). o quarto filme será a minha estreia no cinema e só espero que me traga duas horas como as de outros tempos, apenas isso.