diminuitivos
na ilha de sam miguel faz-se uso excessivo dos diminuitivos, o que está em perfeita harmonia com a psicologia colectiva. o meio actua muito, concorrendo poderosamente para as alterações fonéticas, morfoilógicas e ideológicas. terra, onde abundam os camponêses, quando alguem alude ao oficio ou modo como ganha a vida, diz geralmente: isto é o meu sachinho. poucos são os que intimamente se não tratam por antonino, candinho, francisquinho ou chiquinho, zézinho, manolinho, marianino, etc.
uma casinha, um dinheirinho, nica, nisquinha, etc são palavras de emprego constante na conversação popular. não se pergunta: vossa senhoria está bom ou gosa saude; mas sim: vossa senhoria vai espertinho? ao dedo minino chama-se mendinho. é um nunca acabar de diminuitivos. dar alminha ao menino é baptizá-lo. quando uma criança falece sem baptismo, diz-se: morreu sem alminha.
necessário é, porem, confessar que de todos os diminuitivos o mais carinhoso é o adjectivo pechinchinho ou chichinho. e não tem sabor tam agradavel esta palavra, que diz o mesmo, e talvez melhor, que pequenino?
[páginas 30 e 31 ~ a alma do povo micaelense, padre ernesto ferreira 1926]
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