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arquivo do mês: [11, 2007]

verdade vs mentira

sei que há imensas coisas na história de uma família que são pura fantasia. qualquer família. as histórias vão passando de geração em geração e a verdade vai-se perdendo. quem conta um conto acrescenta um ponto, como se costuma dizer. alguns talvez achem que isto significa que a verdade não consegue competir com a mentira. mas eu cá não acredito nisso. cá para mim, depois de todas as mentiras terem sido contadas e esquecidas, a verdade perdura ainda. não anda a fugir de um lado para o outro e não muda com o passar do tempo. é impossível corrompê-la, assim como é impossível salgar o sal. é impossível corrompê-la porque é pura, sem adornos. é a matéria de que são feitas as nossas palavras. já ouvi compará-la à rocha - talvez a biblia - e não discordo dessa ideia. mas a verdade permanecerá, mesmo quando a rocha tiver desaparecido. tenho a certeza que certas pessoas discordam isto. bastantes, aliás. mas nunca cheguei a perceber em que é que nenhuma delas acredita. - xerife bell.

[página 95 ~ este país não é para velhos, cormac mccarthy]

a vida em três actos

acto um {perdido no barulho}
uma dissertação acerca da existência e consciência do eu. o sofrimento e o amor.

acto dois {aqui e agora}
as ruminações ideológicas. o mundo. a guerra e a paz. o lugar que se pode chamar casa. o tempo que nos marca.

acto três {o fim das fadas}
a angústia. a desesperança. a fuga. a redenção e o idealismo.

[versão livre de comicopera ~ robert wyatt, 2007]

sobre as decisões

não

em 2008, regresso ao porto. a ti, my lobe.

#cinco. caderno vermelho.

porto em preto-e-branco

Não me interessa o Porto turístico. Esse está já identificado e documentado que chegue, e o meu papel de fotógrafo não passa por aí. A mim interessa-me captar os instantes de luz, e a realidade física ou humana que ela ilumina ou obscurece. Interessa-me procurar a poesia que pode estar escondida na cidade - e essa não está no circuito turístico

Aquilo que tenho, são ainda dados muito dispersos. A primeira impressão que se tem é a de uma cidade rude, um pouco caótica, que não se abre e à qual não se acede facilmente. Mas, com o tempo, ela vai-nos prendendo, e nós vamo-nos prendendo a ela. Vamos então descobrindo que é uma cidade muito rica nos seus caminhos e nas suas relações pessoais

[georges dussaud entrevistado por sergio c. andrade ~ suplemento P2, jornal público 10.novembro.2007]

mixtape 05: não tenhas medo

não

01. Nós e os Outros [rodrigo leão]
02. Unageins games [mazgani]
03. Mata-me outra vez [ornatos violeta]
04. Sem marcha atrás [donna maria]
05. translucido [margarida pinto]
06. Nada é tao mau [nuno prata]
07. dona antónia [bernardo sassetti]
08. i see the world through you [david fonseca]
09. guerra ao coração [paulo praça]
10. distância [cindy cat ft. gomo]
11. utilidade do humor [clã]
12. her scarf [old jerusalem]
13. retrato em preto e branco [maria joão]
14. mudar de bina [norberto lobo]

14 músicas, 53.4 minutos, 60.91mb (ouvir. download)

música portuguesa, uma mixtape. algumas descobertas do ano que corre como a guitarra de norberto lobo, a voz de mazgani e o sempre nuno prata; as outras são recorrentes indispensáveis no meu imaginário…

num beijo teu

fecho os olhos;
por instantes imagino-te -

que os teus lábios desabrochem num beijo
e a brisa traga
o perfume de que tanto sinto falta,
my lobe.

[versão livre de let your lips blossom in a kiss ~ mazgani, 2007]

agonia

one of Lorca’s best lines
is,
“agony, always
agony …”
think of this when you
kill a
cockroach or
pick up a razor to
shave
or awaken in the morning
to
face the
sun.

true, charles bukowski

sobre a [in]felicidade

não

há um espasmo de felicidade quando brinca com…

# três. caderno vermelho

sobre a angústia

não

como um estranho, aconselhando o grito.

# quatro. caderno vermelho

como kafka

não

- What do you mean, “it’s a literary high”? - william lee
- It’s a Kafka high. You feel like a bug. - joan lee

{Joan Lee is explaining the joys of injecting oneself with insecticide}

[naked lunch ~ david cronenberg, 1991]

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