ela vinha num dos autocarros que acabara de chegar estacionando com um grande suspiro de travões pneumáticos; os passageiros saíam para uma breve paragem de descanso. os seios dela eram espetados e autênticos; as suas ancas estreitas tinham um ar encantador, tinha o cabelo comprido de um preto lustroso; e os seus olhos eram enormes e azuis, cheios de timidez. quem me dera ir no autocarro dela. uma dor apunhalou-me o coração, como acontecia sempre que via uma rapariga de que gostava de seguir na direcção oposta à minha neste mundo demasiado vasto. uma voz anunciou pelo altifalante o autocarro para Los angeles. peguei no saco e entrei, e quem havia de lá estar sozinha senão a rapariga mexicana! deixei-me cair no banco mesmo ao lado do dela e comecei logo a planear uma estratégia. sentia-me tão só, tão triste, tão cansado, tão trémulo, tão prostrado, tão exausto que ganhei coragem, a coragem necessária para abordar uma rapariga desconhecida, e agi.
[página 94, capítulo XII, parte I, pela estrada fora ~ jack kerouac]
(sal de facto agiu; chamava-se teresa, ou terry, procurava uma nova oportunidade da vida. apaixonaram-se em medo, deixando-se levar pela necessidade de se sentirem amados).