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arquivo do mês: [05, 2007]

ao mar

Eu fui ao mar e não guardei o meu lugar aqui. Fui procurar para onde ir e não, não consegui. Sozinho no Mundo ninguém é feliz, solto sorrisos sem sabor. Sozinho no Mundo não me perdi mas solto sorrisos sem sabor. Eu fui à Guerra e senti… Aqui é tão difícil.*

às vezes a solidão é maior.

(*azevedo silva ~ tartaruga 2007 >)

int’nicar

expressão usada para exprimir aborrecimento ou impaciência face a comportamento ou expressão de outrem.

névoa

não

não

[casablanca ~ michael curtiz, 1942]
[the good german ~ steve soderbergh, 2006]

fazer corresponder imagem ao filme… 

o nome das ilhas

da nossa livre vontade, certa sciência, poder absoluto, sem nol-o elle pedir, nem outrem por elle, temos por bem e fazemos-lhe merce das ilhas s. da ilha da madeira - e da ilha do porto santo - e da ilha deserta - e da ilha de san luiz - e da ilha de san diniz - e da ilha de san jorge - e da ilha de san thomaz - e da ilha de santa iria - e da ilha de jesus christo - e da ilha graciosa - e da ilha de san miguel - e da ilha de santa maria - e da ilha de san jacob - e Filipe - e da ilha de las mayas - e da ilha de san christovão - e da ilha de lana - com todolas rendas, direitos e jurisdições que a nós ora em ellas pertence e de direito devemos de haver (…)

[carta de D.Afonso V doando ao infante D.Fernando, seu irmão, várias ilhas, entre as quais as dos Açores. 3 de dezembro de 1460]

Sobre o desconhecido

não

para onde?

#cento noventa e nove. caderno preto.

a história de um sonho, II

fridolin, que se mantivera deitado a seu lado, inclinou-se sobre ela olhando o seu rosto impassível, os olhos claros, grandes, onde o dia parecia também amanhecer, e perguntou-lhe hesitante, mas pleno de esperança:
- que é que devemos fazer, albertine?
ela sorriu, hesitou por instantes, depois respondeu:
- acho que devemos estar gratos ao destino por termos saído ilesos dessas aventuras - tanto as reais com as que sonhámos.
- tens a certeza disso? - interrogou ele.
- sim, como também tenho a certeza que não é a realidade de uma única noite, nem a de toda uma vida que corresponde à verdade intrinseca de um ser humano.
- nem sonho algum - suspirou ele calmamente - é inteiramente sonho.
albertine segurou-lhe a cabeça com ambas as mãos e enconstou-a ao seu seio.
- agora estamos plenamente acordados - observou - por muito tempo.

[páginas 94&95, a história de um sonho ~ arthur schnitzler]

para aqueles que forem apanhados despercebidos, como eu, ao lerem a página 5 e repararem que as palavras não são desconhecidas - ‘não! eu conheço isto’ - é a partir deste romance vienense do início do século XX que kubrick constroi o obssessivo e brilhante eyes wide shut.

a história de um sonho

E quando despertamos de um sonho, por exemplo? Claro, nesse caso lembrámo-nos… mas também existem sonhos que esquecemos na íntegra, de que não resta nada senão uma aura misteriosa, um obscuro atordoamento. ou então lembramo-nos mais tarde, muito mais tarde, e já não sabemos se vivemos essa experiência ou se simplesmemte sonhámos. excepto…excepto isto!…

[página 81, a história de um sonho ~ arthur schnitzler]

é uma comédia de erros

fingindo durante o dia com a ajuda do sempre fiel jonhy walker, sorrio até não sentir. que essa chuva ácida me leve na corrente o pensamento intrusivo de perda que me faz esquecer a vida.

é uma comédia de erros. apenas me debato sobre o falhar, sobre a inconsciência de existir sem ti.

[versão livre de miss misery, ellioth smith, album: new moon 2007]

O medo

o medo come as almas’, dizia Fassbinder no título de um seu filme. E se esse medo fosse o medo de não saber?

página 7 ipsilon 18.maio.07 ~ obcecados pelo serial killer, jorge mourinha

Persepolis

não

[página 71, persepolis, volume 1~ marjane satrapi]

romance autobiográfico de marjane satrapi ao longo de quatro volumes: primeiro, descrevendo a sua infância no irão durante a revolução islâmica que culminou com o afastamento do shah iraniano em 1979; segundo, seguimos marjane durante a guerra entre o iraque e o irão, obrigando ao exilio em viena; terceiro, mostra-nos a adaptação e o choque cultural ao viver em viena; quarto e último, a outra adaptação (tão dificil quanto a anterior), desta vez no regresso ao irão depois de 4 longos anos perdidos.

desconheço edição portuguesa; entretanto persepolis estreia-se como longa metragem no festival de cannes deste ano (ver as notas de produção e trailler aqui)

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