não afirmo que qualquer um que levante a voz contra alguma coisa seja um fanático. não suguiro que qualquer um que manifeste opiniões veementes seja um fanático. digo que a semente do fanatismo brota ao adoptar-se uma atitue de superioridade moral que impeça a obtenção de consensos. (pág.17)
não acredito que o amor seja a virtude com a qual se resolvem os problemas internacionais. precisamos de outras virtudes. precisamos de um sentido de justiça, mas também de senso comum; precisamos de imaginação, de uma habilidade extrema para imaginar o outro, para às vezes nos metermos na pele do outro. precisamos da capacidade racional para nos comprometermos e, por vezes, fazermos sacrificios e concessões. (pág.45)
sobre uma velha história: “querido Deus, por favor, diz-me de uma vez por todas: qual a fé verdadeira? a católica romana, a protestante, talvez a judaica, acaso a muçulmana?” e, nesta história, deus responde: “para te dizer a verdade, meu filho, não sou religioso, nunca o fui, nem sequer estou interessado na religião”. (pág.76)
no meu mundo, a expressão “chegar a um acordo, a um compromisso” é sinónimo de vida. e onde há vida há compromissos estabelecidos. o contrário de comprometer-me a chegar a um acordo não é integridade, o contrário de comprometer-me a chegar a um acordo não é idealismo, o contrário de comprometer-me a chegar a um acordo não é determinação. o contrário de comprometer-me a chegar a um acordo é fanatismo e morte. (pág.87)
amos oz contra o fanatismo, edições asa/público