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arquivo do mês: [04, 2007]

da saliva

todas essas pessoas bebendo seus beijos, engolindo as palavras enquanto dizem que sim com as cabeças;

aprendendo como desistir
presos a uma noite que nunca conheceram…

[versão livre de lover´s spit dos broken social scene feat. leslie feist, album: bee hives, 2004]

os nossos ossos mergulham

meio milénio de existência sobre tufos vulcânicos, por baixo de nuvens que são asas e de bicharocos que são nuvens, é já uma carga respeitável de tempo – e tempo é espirito de fieiri (…) como homens, estamos soldados historicamente ao povo de onde viemos e enraizados pelo habitat a uns montes de lava (…) a geografia para nós, vale outro tanto como a história (…) como as sereias temos uma dupla natureza: somos de carne e pedra. os nossos ossos mergulham no mar…

vitorino nemésio, in ‘açorianidade’, revista Insula, nºs7/8 julho-agosto de 1932

percorro

percorro estas ruas sem ti. procuro a tua mão, orientando-me entre o granito e o sotaque. perco-me entre as pessoas, neste horizonte sem mar da ilha. percorro cada rosto, procuro-te como no poema mas, não te encontro;  espero, sempre, que chegues.

Irreversível

não

o tempo destrói tudo.

[irréversible ~ gaspar noé, 2002]

Sobre as distâncias

não

no tempo

#cento e noventa. caderno preto

vou’t sofrê

a par de apeloeh, vou’t sofrê devia ser das expressões que mais usava. neste caso a expressão parece derivar de vou-te sofrer, exprimindo a ausência de paciência para suportar aquilo que nos é imposto ou sugerido.

contra o fanatismo

não afirmo que qualquer um que levante a voz contra alguma coisa seja um fanático. não suguiro que qualquer um que manifeste opiniões veementes seja um fanático. digo que a semente do fanatismo brota ao adoptar-se uma atitue de superioridade moral que impeça a obtenção de consensos. (pág.17)

não acredito que o amor seja a virtude com a qual se resolvem os problemas internacionais. precisamos de outras virtudes. precisamos de um sentido de justiça, mas também de senso comum; precisamos de imaginação, de uma habilidade extrema para imaginar o outro, para às vezes nos metermos na pele do outro. precisamos da capacidade racional para nos comprometermos e, por vezes, fazermos sacrificios e concessões. (pág.45)

sobre uma velha história: “querido Deus, por favor, diz-me de uma vez por todas: qual a fé verdadeira? a católica romana, a protestante, talvez a judaica, acaso a muçulmana?” e, nesta história, deus responde: “para te dizer a verdade, meu filho, não sou religioso, nunca o fui, nem sequer estou interessado na religião”. (pág.76)

no meu mundo, a expressão “chegar a um acordo, a um compromisso” é sinónimo de vida. e onde há vida há compromissos estabelecidos. o contrário de comprometer-me a chegar a um acordo não é integridade, o contrário de comprometer-me a chegar a um acordo não é idealismo, o contrário de comprometer-me a chegar a um acordo não é determinação. o contrário de comprometer-me a chegar a um acordo é fanatismo e morte. (pág.87)

amos oz contra o fanatismo, edições asa/público

vos direi

Eu vos direi da ilha que na dorna
do Arcanjo é eterna em chão escasso.
Fulva de gado ao dia. À noite, morna.
Embebida no verde. E o mar colaço.

natália correia, a ilha do arcanjo

Don’t

i'm not lucid, i'm confused

tee.shirt #10 (#4 e última para o concurso da embaixada lomografica portuguesa)

nem sei

os tubarões cheiram o meu sangue escorrer.
sei que algo está mal, talvez me proponha a matá-lo com o fogo; talvez com um furacão.

e… nem sei que vida é esta que vivo.

[versão livre de black tambourine, beck 2005 (album GUERO) e a propósito da banda sonora de inland empire]

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