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e onde fica o mar?

É muito curioso notar como hoje, quando o longe já não existe, os estudantes que daqui partem levam a mesma nostalgia de outrora e têm saudades do mar, daquele mar que rodeia as Ilhas, está sempre presente ao ouvido, canta-lhes ao ouvido de noite, no silêncio, nas horas de tempestade está sempre presente e muda de cor e de feição a cada momento, mas no fundo
é sempre aquele azul de bruma e névoa que não abandona os seus filhos açorianos. E ao chegar a um sítio novo, ao ver uma bela paisagem surge a pergunta que parece estranha:
– E onde fica o mar?…
Mesmo os livros dos escritores açorianos que agora são mais conhecidos têm por tema “a doença do Açoreano” porque tratam do passado, da sua infância, das suas raízes mais verdadeiras. Querendo inovar é pelo regresso ao passado que o fazem, revivendo com outros olhos, com outras cores o que é para eles
a insularidade que não se fica por conhecer as Ilhas, passar por aqui e viver sem o berço do mar.
Há os teóricos da doença que muito estudam e buscam o seu sentido ou questionam as causas diversas. Há os estudiosos da saudade, e não são poucos, mas vivê-la, é total emente diferente de estudá-la. Como quando se critica Hegel por «pensar a Vida» podemos esquecermo-nos de senti-la. Porém a maioria dos “doentes” vivem com todos os sintomas que espreitam nos seus olhos quando têm a sorte de voltar num retorno que nunca cura nada, antes vem avivar mágoas ou reviver alegrias que pouco duram porque há sempre a hora do regresso. E esse estar lá, ou estar cá, é a dialéctica do longe e do perto que torna saudoso para onde quer que vá.

lucia costa melo simas em “a persistência da saudade, sobre uma doença açoreana”.

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