selvagens
os teus olhos são enganadores
e de vez em quando, começas
um sorriso:
“a felicidade é um aborrecimento
e o tempo escasso”
de coração vazio, não consigo dizer
para continuares a fingir.
[versão livre de wild ~ beach house, 2012]
os teus olhos são enganadores
e de vez em quando, começas
um sorriso:
“a felicidade é um aborrecimento
e o tempo escasso”
de coração vazio, não consigo dizer
para continuares a fingir.
[versão livre de wild ~ beach house, 2012]
sombras que crescem.
para o mundo, subitamente,
me engolir:
o meu silêncio
a tua alma.
[versão livre de on the sea ~ beach house, 2012]
alpeis ~ giorgos lanthimos, 2011 ****
comédia de absurdos sobre a existência humana
- o luto através da reconstrução.
l ~ babis makridis, 2012 ***
outra comédia de absurdos sobre a existência humana
- metáfora da desilusão e a procura um novo começo.
stillleben – sebastian meise, 2011 **
deixa-me empatar o silêncio com antony and the johnsons.
[..]
o banco de antero sempre foi, para mim, um lugar de culto, que quase oração.
aprendi-o, com o meu pai, numa manhã de doze anos.
a gente ia a aproximar-se, quando ele pegou na minha mão e foi dizendo, baixinho, o soneto ‘na mão de deus’.
hoje, ainda o oiço, hoje, quando ali me sento, os seus dedos continuam a tomar conta dos meus.
em ano que já cá não está, ia eu a rasgar a miserável tristeza que, há muito, sitia o campo de são francisco, quando deparei com um casal em frente do banco de antero.
ela vinha de máquina fotográfica ao peito e ele, num rodopio imbecil, sentou-se, abriu os braços, e disse em alta voz:
- “tira-me uma fotografia! foi aqui que o gajo se suicidou!”
quando a máquina fotográfica disparou, todas as pombas, feridas de vergonha, levantaram voo…
pág.15, 30 crónicas II
emanuel jorge botelho
que vos pode dizer um homem
acabado? cheguei à cidade
e apenas percebi as ondas,
a geografia vagamente familiar das ruas,
a estranheza limpa dos rostos.
por aqui, vive-se ou morre-se
de passado; tem-se da esperança
uma ideia anteriana, mas menos exigente.
um cheiro a sal e basalto entranha-se devagar nas veias.
sabemos que vai ficar, mas não sabemos como.
enquanto até as nuvens parecem sorrir
e tingem de ‘cinza roxa’ as calçadas e os dias.
página 7, portas do mar
manuel de freitas
>> no cinema
TABU ~ miguel gomes, 2012 ****
florbela ~ vicente alves do ó, 2012 º
>> em casa
after hours ~ martin scorsese, 1985 ****
les bien aimés ~ christophe honoré, 2011 ****
kill list ~ ben weatley, 2011 ****
bellflower ~ evan glodell, 2011 ****
3 ~ tom tykwer, 2010 ***
notre paradis ~ gael morel, 2011 ***
glorious 39 ~ stephen poliakoff, 2009 ***
blood creek ~ joel schumacher, 2009 **
ponta delgada definha em betão, promessas e portas fechadas. no entanto, transforma-se num parque de diversões para a terceira idade à chegada de um novo cruzeiro. felizmente, o horizonte continua igual.